Quarta-feira, Fevereiro 1, 2023
Historia

Quais são os Países Capitalistas com um Desenvolvimento Industrial bastante Avançado?

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Países capitalistas com um desenvolvimento industrial bastante avançado:

− Inglaterra

− França

− Bélgica

− Países Baixos

Países ainda com economias agrárias

− Império Austro-húngaro e Otomano

− Itália

− Rússia

Países com rápido crescimento económico

− Alemanha

− Estados Unidos da América

− Japão

Nos finais do século XIX e princípios do século XX, os países capitalistas da Europa apresentavam um desenvolvimento muito desigual, por um lado existiam os países da Europa ocidental e do norte que já haviam realizado as suas revoluções industriais e, por conseguinte, encontravam-se num estágio de desenvolvimento bastante avançado, tendo inclusive participado com sucesso na corrida colonial do final do século. Neste grupo destacam-se a Inglaterra, França, Bélgica e o reino dos países baixos. Por outro lado, existiam outros países da África meridional, os países da “Europa Agrária”, ainda presos às velhas formas de produção feudais ou em fase de transição para as novas formas de produção capitalista. Entre estes países encontramos os grandes impérios centrais, como o Austro-Húngaro e Otomano, a Alemanha, Itália e Rússia. Os EUA na América do norte e o Japão no extremo oriente eram outros dois estados cujo rápido desenvolvimento não passava despercebido aos olhos do mundo.

Caro leitor, depois de apresentado o quadro geral do mundo capitalista, passamos a analisar a situação de cada país:

A Inglaterra

EM 1900 a Inglaterra era a primeira potência industrial e imperial do mundo. A esquadra inglesa dominava os mares e a paz britânica, era a regra de convívio internacional quebrada pelo crescimento rápido e inquietante da Alemanha, pelos episódios distantes em que russos e japoneses se defrontavam e os boers ofereciam resistência inesperada à dominação inglesa na África do Sul.

A nível económico, a Inglaterra tinha sacrificado a agricultura às exigências do mercado da indústria e esta não chegava a empregar 20% da população total. A Inglaterra importava do seu vasto império colonial tudo o que precisava para o seu consumo, enquanto os esforços internos eram concentrados na exploração da indústria, do comércio e da banca que aumentavam a riqueza do país, tornando-o na fábrica da Europa, no banco e no grande mercado mundial.

Politicamente a Inglaterra apresentava um grande equilíbrio e organização. As instituições políticas funcionavam com precisão e equilíbrio perfeitos. Mesmo assim o sistema político procurava adaptar-se às necessidades do tempo sem abandonar as suas características de monarquia e os diferentes órgãos de estado funcionavam em coordenação mútua.

No tocante ao aspecto colonial, a Inglaterra apresentava o maior império do mundo e as colónias faziam as suas vidas com governos dirigidos por nativos directamente subordinados à coroa britânica. Os parlamentos locais eram eleitos entre elites nacionais, garantindo-se assim a defesa dos interesses ingleses em cada uma das colónias. Desta forma, o império britânico tomava a feição de uma comunidade de nações, tendência confirmada no final da II Guerra Mundial com a formação da COMMONWELTH, agregando antigas colónias britânicas.

Porém, a opulência britânica era ameaçada por graves problemas internos e pela grande concorrência externa que o império sofria.

Interinamente vários problemas dilaceravam o velho monstro continental. O contraste entre a opulência ostentada pela burguesia e nobreza e as condições de desgraça e penúria em que vivia a classe operária; a questão da Irlanda que era uma ferida aberta no governo britânico; a guerra com os boers (1899 – 1902) demonstravam as grandes carências e as deficiências militares da grande potência colonial.

Do outro lado do Atlântico, os EUA revelavam as suas possibilidades ilimitadas e os seus recursos inesgotáveis. No continente, o rápido crescimento da Alemanha constituía não o sinal de uma competição pacífica, mas o indício de uma ameaça temerosa. Estas novas potências ávidas de riquezas e conquistas militares, ameaçavam a hegemonia naval, o esplêndido isolamento, a prosperidade económica, a supremacia industrial e a influência mundial da Inglaterra.

A França

Em 1900 os franceses entravam na consolidação da 3ª República, caracterizada pela derrota dos inimigos das instituições republicanas, isto é, da nobreza conservadora e pela instalação definitiva da burguesia radical no poder. Porém, o triunfo da nova instituição não venceu as grandes contrariedades existentes no seio da sociedade francesa, caracterizada por uma grande heterogeneidade ideológica.

A nível económico, a Revolução Industrial não afectou, tal como na Inglaterra e Alemanha, a produção agrícola que conservou a sua importância tradicional e constituiu, tanto na paz como na guerra, a principal riqueza da nação. Na metalurgia, na indústria de transportes e têxtil, a França conheceu um grande desenvolvimento; tendência acompanhada, como noutros países fortemente industrializados, pela concentração de produção e capital e formação de um partido socialista numeroso e aguerrido. A solidez económica e a saúde financeira, apoiada e mesmo baseada num amplo império colonial, que na prática dominava parte considerável da África e Ásia, tornavam o país invulnerável às vicissitudes exteriores quando estas se traduziam em crises profundas nos mercados ou nas bolsas de valor.

Em compensação a esta estabilidade económica, a luta de ideias, o debate das paixões, o gosto da independência individual geraram um ambiente de insatisfação e polémica em que a agitação das ruas se somava ao tumulto das assembleias com ideais bastante heterogéneas e composição diversificada. As disputas entre o parlamento e o presidente provocavam uma forte interferência deste último no papel do primeiro, razão pela qual a França não conheceu uma tranquilidade política como a Inglaterra e Alemanha.

A Rússia

Com 174 milhões de súbditos e uma superfície de 21.784.000 km2 , o império Russo constituía, nos finais do século passado e primórdios deste, um mundo complexo e original. Trata-se de um verdadeiro mundo de contrastes, muitas vezes violentos, onde estavam juntos o antigo e o moderno.

O poder político encontrava-se nas mãos do ditador Czar Nicolau II. Até 1905, o despotismo  czarista foi total. Tratava-se de uma ditadura onde não havia lugar para qualquer instituição representativa eleita, mesmo de carácter aristocrática, susceptível de servir de contrapeso às decisões do poder executivo. De um modo geral, o czarismo era o escudo protector de uma classe privilegiada – a nobreza.

A igreja ortodoxa era, juntamente com a polícia e o exército, um dos pilares do regime. Esta igreja é a igreja do estado e o Czar era a sua figura máxima. O seu principal papel era de pacificar as massas para melhor domínio czarista.

Neste período o Império Russo continuava a ser marcado por uma nítida preponderância rural. Cerca de 85% da população vive no campo e 80% da população activa vive da agricultura que é deveras pobre, sendo a própria charrua um privilégio das famílias nobres. Nos finais do século, a industrialização começa a ser uma realidade e a Rússia ocupa então 5º lugar na produção industrial do mundo.

A Alemanha

A Alemanha do século XIX era um autêntico “Jovem gigante, o desenvolvimento da produção e da riqueza assumiu neste país, proporções inesperadas e impressionantes. A Alemanha agrícola transformou-se numa Alemanha fortemente industrializada.

A sua riqueza assentava em abundantes reservas de carvão e ferro, as quais lhe permitiam criar, rapidamente, uma indústria pesada e uma indústria de guerra que se tornou uma ameaça para o resto da Europa e do mundo.

Os êxitos germânicos não tinham comparação com os resultados alcançados pela Inglaterra e França. À exploração racional dos seus recursos, os alemães juntavam a aplicação consciente das qualidades que os distinguia: o método, a disciplina e a audácia. Com efeito, a sua indústria abastecia-se incessantemente com estudos laboratoriais dos seus engenheiros, o que se traduzia numa maior qualidade de produtos manufacturados. A facilidade de créditos industriais e a  grande preocupação do governo em assistir os trabalhadores que conferiam rendimentos sociais fortes.

A política de carteis limitava a concorrência e permitia a estabilização dos preços, medida aprovada pela política proteccionista adoptada pelo estado germânico para defender a produção nacional e facilidade de transportes e comunicações de que o país se dispunha.

A vida económica da Alemanha dependia essencialmente da indústria em constante evolução. A produção, apesar do aumento rápido da população, dependia dos mercados externos, cuja conquista era para os alemães uma necessidade vital, pois a sua unificação tardia não lhes permitiu a tomada de colónias como França, Inglaterra ou Rússia.

Contrariamente à França, a Alemanha apresentava uma estabilidade de classes, era comum o respeito pelo poder central. O Reichstag (parlamento) não exercia influência directa sobre o poder executivo. O regime parlamentar, nas palavras de Bismark em 1885, não tinha grandes mandos, pois “só um senhor”no Império germânico – o Imperador.

Império Áustro – Húngaro

O império Austro – Húngaro era no limiar do nosso século, o “estado das diversas nações”em que os grupos minoritários, sujeitos à dominação estrangeira manifestavam incessantemente a sua ânsia de libertação e independência, coagidos não só pelo direito natural, como pela acção externa movida pelo vizinho e rival Império Russo.

A heterogeneidade na composição populacional era igual nos aspectos de raças, idiomas e variedades de tendências políticas, sem, por isso, existir uma coesão política e uma legislação económica uniforme para o governo.

Mesmo em termos académicos e de desenvolvimento económico notava-se um forte desnível: a Áustria era predominantemente industrial, o mesmo acontecendo na Bósnia. Nos dois países a existência de uma burguesia culta contrastava com o baixo nível intelectual da população rural do resto do império. Em contrapartida, os habitantes da planície húngara ainda não haviam alcançado um nível de desenvolvimento forte, tendo sido relegados à prática da agricultura e fraca afluência política.

A subjugação política de grupos fortes e instruídos, como os croatas e romenos da Transilvânia pelos Magiares, alimentaram uma hostilidade latente e fatal para, fortificação do Império fortemente roído por intrigas dos impérios vizinhos.

A população do Império Áustro – Húngaro encontrava-se distribuída da seguinte maneira:

Áustria ( Germânicos, Polacos, Checos, Ruteranos e Eslavos);

Hungria ( Magiares, Eslovacos, Romenos, Croatas e Sérvios).

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