Quarta-feira, Fevereiro 1, 2023
Saúde

Puberdade precoce: o que é, quais são sintomas e tratamentos

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puberdade é uma fase de desenvolvimento físico, mental e social extremamente sensível para meninas e meninos. Ocorre, então, antes dos oito anos de idade para as meninas e nove anos para os meninos. Entre as transformações típicas da puberdade, observa-se aceleração do crescimento, redistribuição de gordura e aumento da massa muscular. Além disso, há o surgimento de pelos de forma mais intensa e o desenvolvimento genital. Mas uma patologia do desenvolvimento puberal pode interferir no ciclo normal de transição entre a infância e a adolescência: a puberdade precoce.

Também chamada de mini puberdade, é definida como o desenvolvimento de características sexuais secundárias antes dos oito anos na menina, ou antes dos nove anos de idade no menino. Se o processo ocorre antes, pode trazer consequências, principalmente se não houver um acompanhamento adequado.

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O que é a puberdade precoce

Logo após o nascimento, ocorre um aumento dos hormônios do eixo hipotálamo-hipofisários-gonadais (HHG), a chamada “mini puberdade”, que se inicia em média com uma semana de vida e termina por volta dos seis meses de idade nos meninos e dois anos nas meninas. Nas meninas, esse período de ativação do eixo HHG é importante para maturação dos folículos ovarianos. Após o término desse período, há inibição do eixo HHG durante toda a infância, até que ocorra sua reativação na puberdade.

A puberdade precoce é o início do desenvolvimento de caracteres secundários (telarca, pubarca, aumento peniano e testicular) antes do limite inferior de idade considerado para cada gênero, ou seja, antes dos oito anos de idade para as meninas e nove anos para os meninos. Aqui, vale destacar que há uma forte predominância de meninas com puberdade precoce: em um estudo com 104 crianças sobre puberdade precoce, 87% eram do sexo feminino.

Tipos de puberdade precoce

A puberdade precoce divide-se em dois grandes grupos: puberdade precoce central (dependente de GnRH) ou periférica (independente de GnRH).

  • puberdade precoce central (PPC) é causada pela maturação precoce do eixo hipotálamo-hipófise-gonadal, gerando aparecimento de mamas e pelos pubianos nas meninas. Nos meninos, leva ao aumento testicular bilateral, aumento peniano, além dos pelos pubianos.
  • puberdade precoce periférica (PPP) não depende do eixo hipotálamo-hipófise-gonadal e é causada pelo excesso de secreção de hormônios sexuais (estrógenos ou andrógenos. Na PPP em meninos, costuma ocorrer virilização sem aumento testicular ou aumento unilateral.

Existem, ainda, duas variantes benignas que merecem atenção: a telarca precoce e a pubarca precoce. Apesar de serem condições benignas, devem ser diferenciadas de puberdade precoce em consulta, exames específicos e acompanhamento da evolução dos caracteres sexuais e do crescimento.

Na telarca precoce, por exemplo, ocorre o desenvolvimento isolado do tecido mamário. Normalmente, não há outros achados pubertários, como crescimento linear acelerado, progressão rápida do desenvolvimento mamário ou maturação esquelética avançada. É uma situação benigna que deve ser somente observada, geralmente não progride e regride após alguns meses. É mais frequente em meninas nos primeiros anos de vida, mas pode surgir em meninas mais velhas com desenvolvimento mamário isolado.

Quais são os riscos da puberdade precoce?

O início da puberdade, quando acontece precocemente, aumenta o risco de doenças como câncer de mama, câncer de endométrio, obesidade, diabetes tipo 2, doença cardiovascular, além de alterações da saúde óssea, baixa estatura final e distúrbios comportamentais.

Sintomas

Um dos efeitos mais observados é a baixa estatura. O indivíduo até cresce antes dos colegas, mas pode não chegar ao seu potencial máximo. Além disso, a puberdade precoce prolonga o tempo de exposição das mulheres ao estrogênio, um hormônio feminino. “E isso aumentaria o risco de câncer de mama e de endométrio”, afirma Lorena Lima Amato, especialista da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM). “As mudanças psicológicas típicas da puberdade ocorrem antes do período em que a criança estaria preparada para isso”, completa.

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Como diagnosticar?

Uma avaliação laboratorial é fundamental para auxílio diagnóstico. Em alguns casos, é necessário o teste de estímulo com GnRH para confirmação de PPC. USG pélvica, USG região adrenal, abdominal e/ou testicular, além de Rx de punho para avaliação da idade óssea, podem auxiliar no diagnóstico e acompanhamento da evolução.

Nos casos de PPC, todas as meninas com menos de seis anos de idade e todos os meninos que apresentarem puberdade precoce precisam realizar uma ressonância magnética, bem como crianças que apresentarem sintomas neurológicos.

Tratamento

No Consenso da Sociedade Europeia de Endocrinologia Pediátrica e da Sociedade Endócrino Pediátrica Americana (Lawson Wilkins), as razões para o tratamento incluem a preservação do potencial de altura do adulto e dificuldades psicossociais com a puberdade precoce e menarca. Assim, alguns pacientes com rápido avanço da puberdade (puberdade rapidamente progressiva) podem se beneficiar com o tratamento. Cabe à equipe médica, em conjunto com a família, estabelecer a melhor abordagem de tratamento, dependendo da etiologia e evolução de cada caso.

Dessa forma, o acompanhamento médico periódico é essencial para avaliar o desenvolvimento das crianças e dos jovens. Se for necessário, o profissional indicará testes de sangue para dosar hormônios sexuais e exames como a ultrassonografia, que permitem averiguar a evolução de útero, ovários e testículos, além da idade óssea. Já a intervenção terapêutica, por outro lado, depende do diagnóstico.

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