Quarta-feira, Fevereiro 1, 2023
Saúde

Prevenção de infecções nas unidades sanitárias: Conheça os riscos de transmissão de infecções, Saiba como reduzir os riscos nos serviços de saúde

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Quando prestam cuidados aos doentes, os trabalhadores de saúde podem entrar em contacto com líquidos do corpo, como sangue, pus ou secreções genitais (da vagina e do pénis). Os líquidos do corpo do doente podem conter agentes infecciosos (micróbios), como por exemplo, os agentes causadores da sífilis, da hepatite, ou o vírus que provoca o SIDA (HIV).

No ambiente hospitalar, em que circulam doentes e trabalhadores de saúde, assim como outras pessoas que não estão doentes, mas podem ou não ser portadoras de infecções, há o risco de transmissão de infecções entre estas pessoas, e especialmente:

  • do doente para o trabalhador de saúde;
  • do trabalhador de saúde para o doente;
  • e dos doentes entre si.

Os agentes causadores de algumas doenças transmitem-se através do sangue. É o caso dos agentes da sífilis, hepatite, HIV, e malária. Outros agentes infecciosos, como aqueles que causam a tuberculose, sarampo, meningite, transmitem-se através do ar, trata-se duma forma de contágio por inalação.

Transmissão de infecções aos doentes e aos trabalhadores de saúde

Nos serviços de saúde, podem transmitir-se infecções aos doentes através de:

  • injecções;
  • procedimentos cirúrgicos (sutura de feridas, por exemplo);
  • transfusão de sangue infectado contacto com sangue ou feridas dum trabalhador de saúde infectado.

A transmissão de infecções ao doente acontece principalmente através da picada com agulha ou corte com instrumento cortante, contaminados com sangue infectado.

A maioria dos procedimentos realizados no atendimento aos doentes, não constitui risco de transmissão de infecções do doente para o trabalhador de saúde. Se forem tomadas as devidas precauções, o risco de um trabalhador de saúde se infectar a partir de um doente é reduzido. Mas pode acontecer se o trabalhador de saúde for exposto ao sangue ou outros líquidos contaminados do doente através de:

  • Picada com agulha ou corte com instrumento cortante
  • Feridas abertas (ou outras aberturas na pele provocadas por doenças da pele)
  • Contacto com os olhos ou a mucosa da boca.

Risco de transmissão da tuberculose

O número de doentes com o HIV internados nas unidades sanitárias aumentou consideravelmente nos últimos anos. Estes apanham tuberculose com mais facilidade do que as pessoas sem o HIV, pelo que é especialmente importante a prevenção da sua transmissão.

Sempre que possível, os doentes com tuberculose pulmonar devem ser tratados em regime ambulatório, reduzindo as baixas hospitalares destes doentes, limitando-se, assim, o risco de transmissão da tuberculose nos serviços de saúde.

Os doentes com tuberculose pulmonar e baciloscopia positiva, após o início do tratamento, rapidamente deixam de ser infecciosos; é por isso que é urgente iniciar o tratamento destes doentes, para reduzir os riscos de transmissão da tuberculose.

Os trabalhadores de saúde que trabalham com doentes sofrendo de tuberculose, devem tomar medidas específicas de protecção, pois correm o risco de apanhar essa doença. Os trabalhadores de saúde que têm o HIV não devem trabalhar com doentes com tuberculose pulmonar.

Para prevenir a transmissão da tuberculose nos serviços de saúde, é importante que as instalações tenham uma boa ventilação e exposição aos raios solares. O doente com tuberculose pulmonar deve ser ensinado no sentido de conhecer e saber evitar os riscos de transmissão da infecção. Deve ser ensinado a cobrir aboca e o nariz quando tossir e expectorar, e usar máscara facial.

Saiba mais sobre:Curar sem medicamentos: Saiba quando usar medicamentos correctamente e reacções adversas aos medicamentos

Nas enfermarias de tuberculose não deve ser admitido nenhum doente que não tenha um diagnóstico confirmado de tuberculose.

Reduzir os riscos nos serviços de saúde

PRECAUÇÕES PADRÃO

Precauções padrão (também chamadas universais ou standard) são o conjunto de normas destinadas a diminuir o risco de transmissão de micró-bios no ambiente hospitalar. No ambiente hospitalar, todas as pessoas (doentes e trabalhadores de saúde) devem ser consideradas como potencialmente infecciosas (capazes de transmitir a infecção) e como susceptíveis à infecção (capazes de apanhar a infecção).

As precauções padrão resumem-se no seguinte:

  • Lavar as mãos é o procedimento mais importante para prevenir a contaminação de pessoa a pessoa, ou de um objecto contaminado a uma pessoa;
  • Usar luvas antes de entrar em contacto com sangue ou outros líquidos corporais, pele com lesões, instrumentos sujos e lixo contaminado (sangue, pus, material de penso, agulhas);
  • Utilizar equipamento de protecção individual (luvas, aventais, máscaras, protectores oculares e botas) para se proteger de salpicos e derrames de líquidos corporais;
  • Utilizar desinfectantes para limpeza de feridas, pele e mucosas do doente. Utilizar desinfectantes também para a lavagem das mãos antes de qualquer operação;
  • Utilizar práticas de trabalho seguras, tais como não recolocar a tampa nem dobrar as agulhas de injecção;
  • Processar os instrumentos, luvas e outro material, depois da sua utilização;
  • Descartar o lixo infeccioso ou contaminado de forma segura.

Lavagem das mãos

  • A lavagem das mãos deve ser realizada com água limpa e sabão.
  • Deve-se lavar as mãos:antes e depois de examinar o doente;
  • em qualquer situação em que as mãos possam ter sido contaminadas com sangue ou líquidos corporais ou por contacto com instrumentos;
  • Antes de colocar luvas esterilizadas.

Para a lavagem das mãos:

  • Usar água e sabão.
  • Se não há água corrente, depois de lavar com sabão, uma segunda pessoa deve verter a água limpa para remover o sabão.
  • Não usar toalha, mas deixar secar as mãos ao ar.
  • Não usar a mesma água outra vez.
  • Se não houver água, utilizar um desinfectante como álcool ou cetrimida e clorexidina, para lavar as mãos.
  • Nos casos de cólera, usar hipoclorito para lavar as mãos.

Equipamento de protecção individual (EPI)

O uso de equipamento de protecção individual ajuda a reduzir o risco de transmissão de

micróbios no hospital. Estes equipamentos protegem áreas do corpo expostas ao contacto com materiais infecciosos e devem ser usados sempre que houver a possibilidade de contacto com sangue, líquidos corporais, mucosas ou pele lesionada.

O EPI consiste de luvas, aventais, máscaras, sapatos fechados e, por vezes, protectores oculares.

Luvas

As luvas devem ser utilizadas quando se prevê contacto com sangue ou outros líquidos corporais (ex., quando se tira sangue), ou contacto com mucosas ou pele lesionada. As luvas devem usar-se também para manusear materiais ou superfícies sujas com sangue ou outros líquidos.

O tipo de luva a ser utilizado, depende do tipo de tarefa a executar. Por exemplo, o pessoal de limpeza utiliza luvas de borracha e não luvas cirúrgicas, que devem ser reservadas para procedimentos cirúrgicos, partos. Para exames clínicos, usam-se luvas feitas de material plástico.

As luvas deverão ser trocadas após contacto com cada doente. Quando se utiliza as luvas não se deve realizar outras actividades, como tocar noutros objectos, atender o telefone, etc.

Quando se utiliza luvas esterilizadas deve-se:

  • lavar as mãos;
  • usar um par de luvas para cada doente, para evitar contaminação cruzada;
  • não usar luvas retiradas dum pacote já aberto, ou cujo prazo de validade tenha expirado;
  • não usar luvas rasgadas ou com furos;
  • não tocar a parte externa das luvas esterilizadas quando estão a ser calçadas – manusear apenas pela parte interna, que está revirada para fora;
  • Se por acaso as luvas forem contaminadas, devem ser rejeitadas imediatamente e colocado um novo par de luvas esterilizadas;
  • Antes de retirar as luvas, estas devem ser descontaminadas, colocando as duas mãos em solução de hipocloritoa 0,5% . Depois, retirar as luvas, revirando-as, de modo a que a parte interna fique para fora;
  • Deitar as luvas no lixo ou deixar que fiquem imersas (mergulhadas) na solução de hipoclorito durante 10 minutos, para depois serem processadas para reutilização;
  • Deve lavar-se as mãos depois de retirar as luvas;
  • O uso de luvas não dispensa a lavagem das mãos;
  • Não tocar na parte dos dedos.

Avental

O uso do avental está indicado quando há risco de contacto com material infeccioso, por exemplo, parto, operações, doença de Marburg e Ébola .Durante o parto convém utilizar aventais impermeáveis que protejam o tronco e os membros inferiores.

É importante usar luvas e avental durante o parto.

O uso correcto do equipamento de protecção individual diminui o  risco de transmissão de infecções.

Práticas de trabalho seguras

No manuseamento de instrumentos perfurantes/cortantes (agulhas, lâminas, bisturis, tesouras, etc.).

Deve-se:

  • Apontar sempre a parte perfurante/cortante dos instrumentos para longe e afastada das outras pessoas.
  • Pegar nos instrumentos perfurantes/cortantes, um de cada vez.
  • Usar recipientes para passar os instrumentos perfurantes/cortantes durante procedimentos cirúrgicos.

NÃO se deve:

  • Voltar a tapar as agulhas de injecção.
  • Dobrar as agulhas.
  • Retirar a agulha da seringa com a mão. Se vai ser reutilizada, deve-se utilizar uma pinça para retirar a agulha.
  • Não guardar as seringas para remover as agulhas mais tarde.

O QUE FAZER DEPOIS DA UTILIZAÇÃO

Colocar as seringas, agulhas e outros materiais perfurantes/ cortantes numa caixa para incineração ou em recipientes à prova de perfuração. Onde não existem caixas para incineração, recomenda-se recipientes feitos de cartão espesso, uma lata com tampa, ou uma garrafa ou caixa plástica grossa. Estes recipientes devem estar devidamente rotulados.

Quando estes recipientes estão cheios até ¾, devem ser eliminados por incineração ou enterrados.

ORIENTAÇÕES PARA UMA UTILIZAÇÃO SEGURA DA CAIXA INCINERADORA

  • Colocar uma caixa em cada local de injecção, e ao alcance da mão da pessoa que dá a injecção;
  • Depositar a seringa e a agulha na caixa, imediatamente depois de dar a injecção;
  • Não encher demasiado a caixa incineradora;
  • Não esvaziar ou reutilizar a caixa incineradora.

Não misturar o material perfurante/cortante no lixo comum. O lixo perfurante/cortante é constituído por material potencialmente contaminado, que pode causar feridas (picadas, cortes) e infectar pessoas.

Se disponível, usar a cortador de agulha para as autodestrutíveis.

Se as agulhas e seringas vão ser reutilizadas, devem mergulhar-se em solução de hipoclorito a 0,5% durante 10 minutos, antes de serem lavadas (ver procedimento mais adiante).

Saiba mais sobre:Curar sem medicamentos: Saiba quando usar medicamentos correctamente e reacções adversas aos medicamentos

Fonte: Fonte: David Werner, Carol Thuman, Jane Maxwell. Onde Não há Medico. Londres, 2009

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