Quarta-feira, Fevereiro 1, 2023
Geografia

O que é Geomorfologia? Ramos e Importância da Geomorfologia. Tipos de Relevo

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Geomorfologia corresponde a uma ciência que tem como objeto de estudo as irregularidades da superfície terrestre, ou simplesmente, as diversas formas do relevo. Seu profissional é chamado de geomorfologista. Essa ciência tem ainda a incumbência de estudar todos os fenômenos que ocorrem e que interferem diretamente na formação do relevo. Sua responsabilidade é disponibilizar informações para as causas da ocorrência de um determinado tipo de relevo, levando em consideração os agentes (internos e externos) modeladores do relevo.

Para conceber tais informações, é preciso então analisar a interação entre a atmosfera, biosfera e a hidrosfera, tendo em vista que esses elementos interferem na formação de um relevo.

O estudo do relevo é importante para sabermos quais são os lugares propícios à construção de casas, prédios, fábricas, estradas, aeroportos, pontes, plantações, pastagens e muitos outros casos. Em suma, é no relevo que acontecem todas as relações sociais, e por isso requer uma atenção especial sobre o mesmo.

O homem, através do trabalho físico e intelectual, tem transformado o espaço geográfico mundial ao longo da história, alterando drasticamente o conjunto de paisagens dispersas pelo planeta. Desse modo, o relevo, que é um dos mais notados elementos da paisagem, também é extremamente transformado. Um exemplo disso é a ocupação dos morros da cidade do Rio de Janeiro, onde a vegetação foi substituída por moradias precárias. O homem também constrói estradas em relevos acidentados, cava túneis, retira morros, se necessário, ou até mesmo aterrara lugares de depressão; tudo para atender seu interesse.

O estudo do relevo pode prevenir um determinado local de uma série de problemas provenientes das ações antrópicas (provocadas pelo homem). A geomorfologia pode contribuir para diminuir os impactos ambientais, um exemplo claro é a construção de hidrelétricas e obras públicas (estradas, túneis etc.), pois nesses casos é necessário ter conhecimento da declividade e espessura do solo.

1. Importância da Geomorfologia 

Os estudos geomorfológicos de uma determinada área são de grande importância, principalmente para a área de Engenharia Civil. Estes estudos apontam informações sobre o terreno e o relevo, fundamentais para a construção de residências, prédios, rodovias, ferrovias, viadutos, hidrelétricas, túneis, portos, etc.

A Geomorfologia também é importante para o estudo da formação dos aspectos físicos do nosso planeta. Estes estudos podem apontar dados relevantes sobre as épocas e eras geológicas do planeta Terra.

Esta geociência também é importante para a preservação do meio ambiente. Seus estudos são capazes de apontar os impactos ambientais, principalmente relacionados ao relevo, gerados pela construção de grandes obras ou uma intervenção humana na natureza (desmatamento de uma área de encosta ou montanha, por exemplo).

Principais áreas (campos de estudo) da Geomorfologia:

  • Geomorfologia Fluvial
  • Geomorfologia Urbana
  • Geomorfologia Costeira
  • Geomorfologia Ambiental

2.Tipos de relevo

O relevo de todas as partes do planeta apresenta saliências e depressões oriundas das eras geológicas passadas. Estas saliências e depressões incluem as montanhas, planaltos, planícies e depressões; além desses acidentes existem outros menores, como as chapadas, as cuestas e as depressões periféricas…

Estes acidentes resultaram da ação de dois tipos de agentes ou fatores do relevo. De origem interna, que recebe o nome de endógenos (vulcanismo, tectonismo e outros) e de origem externa, com o nome de exógenos (água corrente, temperatura, chuva, vento, geleiras, seres vivos).

Sendo a crosta terrestre a base da estrutura geológica da Terra, várias rochas passam a compor esta estrutura e distinguem-se conforme a origem:

  • Rochas Magmáticas (Rochas ígneas ou cristalinas): Formadas pela solidificação do magma, material encontrado no interior do globo terrestre. Podem ser plutônicas (ou intrusivas, ou abissais), solidificadas no interior da crosta, e vulcânicas (ou extrusivas, ou efusivas), consolidadas na superfície.
  • Rochas Sedimentares: Formadas pela deposição de detritos de outras rochas, pelo acúmulo de detritos orgânicos, ou pelo acúmulo de precipitados químicos.
  • Rochas Metamórficas: Formadas em decorrência de transformações sofridas por outras rochas, devido às novas condições de temperatura e pressão.

A disposição destas rochas determina três diferentes tipos de formações:

  • Escudos antigos ou maciços cristalinos: São blocos imensos de rochas antigas. Estes escudos são constituídos por rochas cristalinas (magmático-plutônicas), formadas em eras pré-cambrianas, ou por rochas metamórficas (material sedimentar) do Paleozoico, são resistentes, estáveis, porém bastante desgastadas.
  • Bacias Sedimentares: São depressões relativas, preenchidas por detritos ou sedimentos de áreas próximas. Este processo se deu nas eras Paleozoica, Mesozoica e Cenozoica, contudo ainda ocorrem nos dias atuais. Associam-se à presença de petróleo, carvão, xisto e gás natural.
  • Dobramentos Modernos: São estruturas formadas por rochas magmáticas e sedimentares pouco resistentes; foram afetadas por forças tectônicas durante o Terciário provocando o enrugamento e originando quando as cadeias montanhosas ou cordilheiras.
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Apresentam também as maiores elevações da superfície terrestre. Os dobramentos resultam de forças laterais ou horizontais ocorridas em uma estrutura sedimentar que forma as cordilheiras. As falhas resultam de forças, pressões verticais ou inclinadas, provocando o desnivelamento das rochas resistentes. A deformação das rochas, por dobramentos e falhamentos, pode ser fator importante na evolução geomorfológica de uma área, devendo-se sempre levar em consideração em estudos de análise geomorfológica .

3.Ramos da Geomorfologia

De descritiva e classificatória na sua origem, a geomorfologia evoluiu, como qualquer outra ciência, para o estudo das causas e inter-relações entre processos e formas. Esta abordagem, conhecida como a “geomorfologia dinâmica”, tem beneficiado muito dos avanços tecnológicos, da redução de custos em equipamento de medição e do aumento exponencial do poder de processamento dos computadores. A geomorfologia dinâmica é fundamental no estudo dos processos de erosão e transporte de sedimentos.

  • A “geomorfologia climática” estuda a influência do clima sobre a evolução do relevo. O clima é responsável pelos ventos e precipitação, que agem na modelagem contínua da superfície da Terra. A diversidade climática implica velocidades diferentes na evolução do ciclo: em climas áridos, o ritmo evolutivo é mais lento, enquanto que climas muito úmidos apresentam maiores taxas de evolução. A modelagem climática depende ainda dos fatores predominantes em cada região: gelo, vento, rios ou outros. Este conhecimento é resumido no que se chama de “domínios morfoclimáticos”.
  • A “geomorfologia fluvial” é o ramo especializado da geomorfologia que lida com o estudo das formas e estruturas provocadas pela dinâmica dos rios. Este subcampo é muitas vezes confundido com o campo da hidrografia.
  • A “geomorfologia de encostas” é a que estuda os fenômenos produzidos no sopé das montanhas, os movimentos de massa, estabilização de encostas e outros. Tem grande importância para o estudo dos riscos naturais.
  • A “geomorfologia eólica” estuda os processos e formas provocados pelo vento, especialmente em domínios morfoclimáticos onde o vento é predominante, por exemplo, nas zonas costeiras, desertos quentes e frios e regiões polares.
  • A “geomorfologia glacial” estuda as formações e os processos causados pelas geleiras e alívio periglacial. Este ramo é estreitamente ligado à Glaciologia.
  • A “geomorfologia estrutural”, coloca o ênfase na influência dos processos geológicos no desenvolvimento do relevo. Esta disciplina é importante em áreas com forte atividade geológica, onde falhas e dobras podem predeterminar a existência de picos ou vales, ou a existência de baías e promontórios, ou outros afloramentos rochosos mais ou menos resistentes à erosão.

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