Segunda-feira, Janeiro 30, 2023
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MARY FIELDS, A PRIMEIRA MULHER CARTEIRO DOS ESTADOS UNIDOS

MARY FIELDS, A PRIMEIRA MULHER CARTEIRO DOS ESTADOS UNIDOS
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Ela era uma mulher que bebia uísque, fumava charutos feitos à mão, esbravejava sem nada temer e praguejava com frequência. Ela usava calça por sob a saia e uma arma sob o avental. Com seu um metro e oitenta de altura e com noventa e um quilos, Mary Fields era uma mulher intimidadora e destemida. Mary morava em Montana, na cidade de Cascade. Ela era uma pessoa especial na comunidade onde ela residia. Embora as mulheres não pudessem entrar nos salões, ela recebeu permissão especial do prefeito para entrar a qualquer hora e em qualquer bar de sua preferência.

Mas Mary não era de Montana. Ela ficou órfã ainda muito nova e cresceu recebendo educação das freiras ursulinas, nasceu escravizada no Tennesse, no início da década de 1830, não se sabe ao certo, e viveu escravizada por anos até que a escravidão fosse abolida. Como uma mulher livre, a vida a levou primeiro à Flórida para trabalhar para uma família e depois para Ohio quando parte da família se mudou. Quando Mary tinha 52 anos, uma sua amiga íntima que morava em Montana adoeceu com pneumonia. E ao saber da notícia, Mary viajou para cuidar da saúde da sua amiga, que logo se recuperou e Mary decidiu por ficar residindo em Montana, se estabelecendo no Cascade, onde seu começo não foi muito tranquilo. Para sobreviver, ela abriu um restaurante, mas não era muito chef de cozinha e também era uma pessoa muito generosa, nunca se recusando a atender um cliente que não podia pagar. Aquela mulher musculosa, sempre empunhando uma pistola, chamava atenção por onde passava

Mas em 1895, quando estava na casa dos sessenta anos, Mary, ou como “Stagecoach Mary ou Black Mary”, como às vezes era chamada, tornou-se a primeira afro-americana a trabalhar como carteiro nos Correios dos Estados Unidos. Conseguiu no teste ao emprego ser a candidata mais rápida a atrelar os seis cavalos, da diligência.

Ela não era funcionária do Departamento de Correios dos Estados Unidos, que não contratava ou empregava carteiros para fazer rotas, mas premiava contratos de rotas estelares para pessoas que propunham menores preços. Essas pessoas, de acordo com o processo de inscrição do departamento, prestavam fianças para comprovar sua capacidade em financiar a rota. Depois que um contrato era concedido, o contratante poderia então dirigir a rota por sua conta própria, sublocar a rota ou até contratar um motorista experiente. Algumas pessoas obtinham vários contratos de rota estelar e conduziam as operações como um negócio. Mary Fields tinha o contrato da rota estelar para a entrega de correspondências dos Estados Unidos de Cascade/Montana para Missão de São Pedro. Ela dirigiu essa rota por dois contratos de quatro anos, de 1895 a 1899 e de 1899 a 1903.

A escritora Miantae Metcalf McConnell forneceu toda sua documentação descoberta, durante sua pesquisa sobre Mary Fields, ao historiador dos arquivos do Serviço Postal dos Estados Unidos, em 2006, o que permitiu ao USPS, reconhecer Mary Fields como a primeira mulher afro americana a exercer a função de carteiro. Por fim, ela se aposentou e foi administrar uma lavanderia. Aquela era Mary Fields. Uma rebelde, uma lenda. Ela faleceu no dia 5 de dezembro de 1914, de insuficiência hepática. Foi sepultada no Cemitério Hillside em Cascade, local marcado com uma acanhada cruz de madeira. Aquela mulher musculosa, que nunca se casou, sempre empunhando uma pistola, chamava atenção por onde passava. Fields se destacou como uma mulher que esteve muito à frente de seu tempo, durante anos de aventura no Velho Oeste.

Fonte: ASCOM/Revista Òmnira

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