Quarta-feira, Fevereiro 1, 2023
Biblioteconomia e Documentação

Linguagens Documentárias: Conceito,tipos e Vocabulário Controlado

Conceito, Objetivos e Métodos de Análise Documental
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As linguagens documentarias surgem graças ao crescimento do conhecimento científico e tecnológico (décadas de 1950 e 1960) pois dificuldades para armazenar e recuperar informações. As linguagens documentarias ajudam na organização, armazenamento e localização da informação .

Mudança

  • A perspectiva preferencial de recuperação bibliográfica e normalização classificatória e descritiva é abandonada.
  • Busca-se a construção de Linguagens Próprias.

Essa mudança de conceituação da área proporcionou grande concentração em estudos de Linguística e de Estatística para viabilizar a automação do tratamento da informação. As Linguagens Documentárias  (LDs) são utilizadas para a Recuperação da  Informação. Saiba mais sobre: Empreendedorismo no Ramo da Bibioteconomia e Documentação

O que são LDs?

São linguagens construídas para a indexação, armazenamento e recuperação da informação e correspondem a sistemas de símbolos destinados a “traduzir” os conteúdos dos documentos. São sistemas simbólicos instituídos que visam facilitar a comunicação. Comunicação restrita a contextos documentários, ou seja, tornam possível a comunicação entre usuário-sistema. Por meio delas pode-se representar, de maneira sintética, as informações materializadas nos textos.

No contexto da Análise Documental, as LDS são instrumentos intermediários, ou instrumentos de comutação, pelos quais se realiza a “tradução” da síntese dos textos e das perguntas dos usuários.

AD: atividade metodológica específica no interior da documentação, que trata da análise, síntese e representação da informação, com o objetivo de recuperá-la e disseminá-la. Leia também :Princípios de indexação:Tipos de indexação

São linguagens construídas.

  • Os elementos da linguagem documentária são selecionados de universos determinados e seu sistema de relações é construído, sendo indispensável para sua utilização a existência de regras explícitas.
  • Representa um ponto de vista particular da realidade.
  • O significado de cada um de seus elementos vai estar diretamente subordinado às definições correspondentes aos elementos colocados nas posições superiores do sistema.
  • LD é um conjunto de termos, providos ou não de regras sintáticas, utilizadas para representar conteúdos técnico-científicos com fins de classificação ou busca retrospectiva de informação (GARDIN, 1968)

Para Gardin, a LD deve integrar três elementos básicos:

  • um léxico: identificado como uma lista de elementos descritores, devidamente filtrados e depurados;
  • Uma rede paradigmática (eixo associativo): para traduzir certas relações essenciais e, geralmente estáveis, entre descritores. Essa rede lógica-semântica, corresponde à organização dos descritores numa forma que, lato sensu, poder-se-ia chamar classificação. Exemplo: a palavra ENSINO fará surgir mentalmente outras palavras que se relacionam como ensinamento, ensino; e
  • Uma rede sintagmática (eixo de encadeamento): destinada a expressar as relações contingentes entre os descritores, relações que são válidas no contexto particular onde aparecem. A construção de “sintagmas” é feita por meio de regras sintáticas destinadas a coordenar os termos que dão conta do tema

Condições para obter resultados positivos na busca de informação:

Que a pergunta e a resposta sejam formuladas no mesmo sistema: é necessário converter uma pergunta feita em LN para o sistema em que foi traduzido o conteúdo do documento, isto é, para um LD;

PERGUNTA  ………    LINGUAGEM NATURAL

SISTEMA ……………….LINGUAGUEM DOCUMENTÁRIA

  • Entrada do sistema: uma LD é utilizada na entrada do sistema quando o documento é analisado para registro. Seu conteúdo é identificado e “traduzido”, de acordo com os termos da LD utilizada e segundo a política de indexação estabelecida;
  • Saída do Sistema: É da mesma forma utilizado à saída do sistema, quando, a partir da solicitação da informação pelo usuário, é feita a representação para busca. Assim, seu pedido é analisado, seu conteúdo identificado e devidamente “traduzido” nos termos da LD utilizada. Leia também :Quais São as Áreas de Atuação em Biblioteconomia?

Controle do Vocabulário

  • Para realizar a função de intermediação, as LDs devem ser construídas de tal forma que seja possível o controle sobre o vocabulário.
  • O Controle do vocabulário é necessário para que, a cada unidade preferencial integrada numa LD, corresponda um conceito ou noção.
  • Essa correspondência só é assegurada por intermédio das terminologias de especialidade
  • Por meio das terminologias de especialidade, as palavras passar a ser termos, assumindo significados vinculados a sistemas de conceitos determinados. Confere-se, desse modo, referência às palavras, que passam a significar segundo determinados sistemas nocionais, assegurando interpretações pertinentes

As Linguagens Documentárias mais conhecidas são:

Linguagens Alfabéticas: Tesauros; e

Linguaguens Hierárquicas: Sistemas de Classificação Bibliográficas.

  • Diferenças entre esses dois tipos de LDs residem no maior ou menor grau de reprodução das relações presentes na LN e no universo de conhecimento que pretendem cobrir.
  • Classificações Bibliográficas: CDD, CDU e LC são os  primeiros sistemas de classificação bibliográfica conhecidos. São de natureza enciclopédica, e visam cobrir todo o espectro do conhecimento.
  • Classificações Facetadas: desenvolvidas a partir do CRG (Classification Research Group), com base na Colon Classification, de Ranganathan, visam domínios particulares.
  • Tesauros: originam-se de classificações facetadas com uma preocupação adicional: a do controle de vocabulário.

Veja também sobre: Construção de Linguagens Documentarias em Sistemas de Recuperação da Informação

Progressão das LDs

  • contínua progressão das LDs a caminho da especialização;
  • abandona-se a pretensão de cobrir todo universo do conhecimento para voltar-se a domínios cada vez mais específicos;
  • as LDs são utilizadas para REPRESENTAR o conteúdo dos textos, mas não os textos eles mesmos;
  • a função de REPRESENTAÇÃO deve ser entendida como sendo de natureza eminentemente referencial: as unidades de um LD deve ser utilizadas como índices relativos a assuntos tratados nos textos, não tendo, portanto, a função de substituí-los.
  • Não se representa o texto individual, mas a classe de assunto à qual ele se refere;
  • A maior ou menor especificidade do assunto a ser representado depende da maior ou menor correspondência da LD com o sistema nocional dos domínios de especialidade;

Configuração das Linguagens Documentárias

LDs                                         Vocabulário

(que integram elementos)

Linguagem de Especialidade                              Linguagem dos Usuários

e

Terminologias

Essas unidades constituem o “léxico” das LDs, denominadas, diferentemente, conforme o sistema e a época, como: palavras-chave, descritores, cabeçalhos de assunto etc.

Toda LD também tem uma sintaxe.

  • CDD: add notes;
  • CDU: Uso de + /;
  • Tesauros: utilização de operadores boleanos

O esquema sintático de uma LD permite a delimitação mais precisa de um assunto, por meio da combinação de seus elementos.

Nos tesauros a função de controle do vocabulário está mais presente.

As LDs incorporam procedimentos de normalização gramatical e semântica. Normalização gramatical refere-se à forma de apresentação dos seus elementos quanto:

  • gênero (geralmente masculino);
  • número (uso do singular ou plural);

O conjunto nocional básico é apresentado em hierarquias (na vertical), em torno das quais se agregam as unidades informacionais que se relacionam horizontalmente. Saiba mais sobre: Sistema Nocional: Relações hierárquicas, genéricas, partitivas, especificas sequenciais es relações não hierárquicas ou sequenciais

A estrutura básica de uma LD é dada por relações hierárquicas, que podem ser genéricas, específicas ou partitivas.

REFERÊNCIA

CINTRA, Anna Maria Marques et. al. Para entender as linguagens documentárias. 2.ed. ver. ampl. São Paulo: Polis, 2002. Cap. 2.

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