Segunda-feira, Janeiro 30, 2023
Geografia

Indústria Transformadora Moçambicana: Saiba mais Sobre Diversos Períodos Indústria transformadora nacional desde o século XIX até aos nossos dias.

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II – Indústria transformadora

A Indústria transformadora nacional é produto de todo um processo que teve o seu início no século XIX, tendo passado por diversos períodos até aos nossos dias, dos quais destacam-se os seguintes:

1º Período: 1884 – 1914

A maior parte da indústria pertencia a companhias estrangeiras, não portuguesas. Estas indústrias surgiram com a necessidade de transformar os produtos agrícolas destinados à exportação, por isso eram localizadas principalmente nas zonas rurais.

2º Período: 1914 – 1945

Nesta etapa há um forte investimento de capitais portugueses direccionados para novos produtos de exportação. Mas também é neste período que se estabelecem pequenas indústrias orientadas para o mercado interno. Tratava-se de indústria de substituição de importações, como sejam: cimento, farinha de milho, cigarros, sabão e outros como é o caso de águas minerais e gelo. A maior parte destas indústrias localizavam-se em Lourenço Marques (Maputo).

A partir dos anos 40 e no âmbito da integração de Moçambique no espaço económico português, através da produção de culturas para exportação por uma lado e por outro na sequência da crescente implantação de colonos, o mercado interno foi-se expandindo gradualmente. Este facto, viabilizou um desenvolvimento industrial mais substancial.

3º Período: 1945 – 1960

Neste período há um maior desenvolvimento das indústrias orientadas para o mercado interno, como resultado sobretudo da emigração massiva para as colónias que se registou após a 2ª Guerra Mundial. Assim, foram introduzidas novas indústrias para a produção de farinha de trigo, vestuários, calçados, mobiliário, pregos, pequena maquinaria e vidro. Como forma de aumentar a capacidade instalada, foram realizados investimentos consideráveis em fábricas de processamento de açúcar, chá, algodão e sisal.

O distrito da Zambézia apresentava um coeficiente de concentração industrial mais elevada, o que se deve especialmente aos incentivos dados à cultura do chá. No distrito de Nampula, a preparação do caju ganha cada vez maior importância.

Neste período, os valores mais baixos de concentração industrial registaram-se nos distritos do Niassa, Tete e Inhambane.

4º Período: 1960 – 1970

Durante os anos 60, empresas portuguesas e estrangeiras investiram numa refinaria de petróleo (1962), construção de vagões (1962) e numa fundação de ferro e aço (1963). Ao longo dos anos seguintes, foram feitos investimentos consideráveis em indústrias químicas, de plásticos e alimentos enlatados. Nos finais dos anos 60, a produção de artigos de luxo para consumo inteiro aumentou substancialmente.

5º Período: 1970 – 1975

− O desenvolvimento industrial em Moçambique conheceu o seu maior índice de crescimento na década de 70, tendo-se concentrado os maiores investimentos na província de Maputo e pela primeira vez ela aparece destacada em relação às restantes províncias no que se refere ao grau de concentração industrial, seguindo-se Sofala, Manica e Nampula.

− Foram realizados investimentos nos têxteis, processamento da castanha de caju e indústria do açúcar.

− O auge da indústria transformadora moçambicana verificou-se em 1973, tendo-se tornado, e de acordo com as estatísticas portuguesas, no oitavo maior produtor industrial africano em 1974. Esta indústria era, na sua maioria, dependente de matérias-primas ou produtos do exterior.

− O desenvolvimento desta indústria foi acompanhado de um aumento de dependência em relação a fornecimento da R.S.A. O valor das importações da R.S.A. ultrapassava, em 1973, as importações vindas da Metrópole.

6º Período Pós: 1975

− Com a independência de Moçambique em 1975, cerca de 90% dos portugueses deixaram o país nos primeiros 2 anos de independência. Assim, muitas indústrias ficaram sem uma gestão técnica e comercial capaz de manter o seu ritmo de funcionamento.

− O colapso da indústria resultou na queda das importações das matérias-primas, produtos semi-acabadas e bens de consumo.

A falta de gestão, da técnica e de peças sobressalentes resultou numa redução significativa da produção industrial durante os primeiros anos de independência.

Sinais de recuperação notaram-se depois de 1977 e certos ramos da indústria tinham uma taxa de crescimento satisfatório. Esta recuperação, foi contudo descontínua depois de 1982, com muito poucas excepções.

Houve muitos factores que contribuíram para a evolução desta situação, sendo de destacar a situação de guerra, a seca e o aumento da falta de moeda convertível e, por conseguinte, dificuldade de importação de factores da indústria.

7º Período: a partir de 1987

Em 1987, é introduzido no País o Programa de Recuperação Económica (PRE). Este programa permitiu a injecção de recursos externos em moeda e vários apoios em mercadorias à balanço de pagamentos, especialmente para a importação de matérias-primas e de peças sobressalentes.

O objectivo do “PRE” na área industrial era o aumento da utilização da capacidade instalada, particularmente de indústrias produtoras de bens de consumo e intermediários susceptíveis de estimular a produção agrícola e a troca com a economia rural em geral, bem como das empresas produtoras de bens de exportação.

Foi assim que em 1987 as operações da indústria moçambicana conheceram o maior impulso dos anos mais recentes. O volume de produção de todas as actividades principais da indústria aumentou 21,5% em 1987 relativamente a 1986.

O crescimento verificado nos anos subsequentes nas indústrias alimentares, de tabaco, bebidas têxteis, calçado, bicicletas, tintas, colas, instrumentos agrícolas e algumas outras áreas de transportes e materiais de construção reflecte estas medidas. Apesar dos resultados positivos registados desde 1987, a desvalorização da moeda gerou outros problemas para a indústria.Com efeito, a diminuição da capacidade de compra da população tem influenciado a capacidade de realização de lucros o que se reflecte negativamente nos planos de novos investimentos, modernização e expansão. Em certa medida, esta situação tem implicado inclusive a redução da actividade de certos ramos.

Para além dos aspectos referidos, importa destacar que a liberalização da actividade do comércio externo, tem exposto a indústria nacional a uma situação de concorrência em pé de desigualdade com outros bens manufacturados que entram no país provenientes sobretudo dos países vizinhos.

Distribuição espacial da indústria transformadora

A indústria transformadora no nosso país concentrou-se nas principais cidades densamente povoadas, como é o caso da Cidade de Maputo, da Matola, da Beira e de Nampula, destacando os seguintes subsectores: Metalurgia, óleos de cozinha e sabões, têxteis e vestuários, embalagens, materiais de construção, química, florestais, metalo-mecânica, agro-industrial e alimentar, couro e calçado.

Bibliografia

Atlas Geográfico Vol. 1, 2ª edição. 1980, Ministério de Educação. Maputo

BARCA, Alberto da e SANTOS, Tirso dos. Livro de Geografia da 10ª Classe, s/d. 3ª Edição

MEC, Programa de Ensino da 10ª classe.

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