Terça-feira, Janeiro 31, 2023
Biologia

Estrutura Primária e Secundária da Raiz

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As raízes são órgãos especializados na absorção de água e sais minerais, podendo também funcionar como local de armazenamento de substâncias de reserva. São normalmente órgãos subterrâneos. Na raiz podem considerar-se diferentes zonas que dependem da idade e desenvolvimento dos tecidos. Num corte longitudinal, a raiz apresenta na sua extremidade as seguintes zonas :

  • coifa: região terminal que protege o meristema apical
  • zona meristemática: meristema apical formado por células meristemáticas em divisão
  • zona de alongamento: formada por meristemas primários
  • zona pilosa ou de diferenciação: constituída por células que já se diferenciaram e se transformaram em tecidos definitivos e onde se diferenciam os pêlos radiculares.

De fora para dentro da raiz encontram-se os seguintes tecidos:

Epiderme – uma única camada de células vivas; zona cortical ou córtex – tem a função de reservação e nitração de fotossíntese; 

Endoderme – periciclo onde há formação de raízes secundarias;
Floema – tecido condutor de seiva colaborada, formada por células vivas; 

Xilema – tecido condutor deseiva bruta formada por células mortas.

As raízes primárias das monocotiledóneas e das dicotiledóneas diferem em:

  • dicotiledóneas: possuem número reduzido de feixes condutores, tipicamente surgem em número de dois a quatro, consoante a espécie e o centro da raiz raramente tem medula sendo ocupado pelo xilema.
  • monocotiledóneas: com um número mais elevado de vasos de transporte, podendo chegar aos vinte e com parênquima medular – medula – a ocupar o centro da raiz.
Estrutura secundária

As raízes das dicotiledóneas com a formação de tecidos definitivos secundários vão engrossando com a idade. Este crescimento radial resulta da actividade de dois meristemas laterais, um situado no cilindro central – câmbio vascular ou libero-lenhoso, e outro situado na zona cortical – câmbio súbero-felodérmico ou felogénio.

O crescimento secundário da raiz resulta essencialmente da actividade do câmbio vascular (no cilindro central) que contorna externamente os feixes do xilema e internamente os feixes do floema. O câmbio vascular tem dois tipos de células: umas alongadas no sentido do eixo da raiz e outras curtas. Apesar dos dois tipos de células se dividirem de modo idêntico diferenciam-se em elementos distintos.

Cada célula cambial divide-se tangencialmente em duas células, uma permanece como célula cambial e a outra diferencia-se numa célula de xilema secundário ou de floema secundário, consoante se encontre do lado interno ou externo da célula cambial. O número de células de xilema que se forma é superior ao de células de floema e, por isso, o anel de xilema secundário é mais espesso que o de floema secundário; em consequência a célula cambial vai sendo empurrada para a periferia.

As células cambiais alongadas originam células alongadas dos tecidos vasculares, vasos e fibras. As células cambiais curtas formam células de parênquima que constituem raios vasculares ou medulares, que podem ser lenhosos a nível do xilema ou liberinos a nível do floema. As células dos raios vasculares são importantes para a circulação radial de água e de substâncias orgânicas.

Na raiz com crescimento secundário o xilema primário fica em posição central em frente aos raios lenhosos. Durante o engrossamento da raiz, o floema primário e a endoderme ficam comprimidos devido à pressão exercida pelos tecidos que crescem no interior, como o xilema secundário. O periciclo e endoderme são, geralmente, pouco nítidos.

Em alguns casos o câmbio súbero-felodérmico, que se diferencia na região cortical, pode dar origem para o exterior a células com paredes suberificadas, que ao morrerem constituem o súber. As células internas originam a feloderme de origem parenquimatosa. Ao conjunto do felogénio e dos tecidos que resultam da sua actividade chama-se periderme.

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