Quarta-feira, Fevereiro 1, 2023
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Disse-que me-disse

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E o disse-que-me-disse continua… Que a Dilma é um politico com a cara do Brasil e que o PT mete medo em muita gente… Estão dizendo por aí, que a justiça está escorregando para o esgoto que nem quiabo e os políticos lá em Brasília estão ganhando pouco e trabalhando muito… Comenta-se por todos os lugares, que a música baiana e a dança da garrafa entrarão como matéria no currículo escolar ainda nesse novo milênio, que o aumento do próximo salário mínimo vai ser de 200% e que a Policia Federal tem sido tão competente quanto a CIA e a KGB.
Fala-se a altos brados, que pobre vai comer caviar e não vai se engasgar, que o carnaval vai ser extinto por vontade do povo e que Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo é um paraíso seguro para turistas e visitantes… Estão dizendo por aí, que a saúde pública é prioridade do governo federal, que as reformas são tão velhas que dispensam qualquer tipo de restauração e que o diabo vai abandonar o inferno para frequentar a Igreja Universal.
Comenta-se por todos os lugares, que as drogas serão liberadas, que o nosso país está vendido, que os homens já não se embebedam e que não existe inflação… Fala-se a altos brados, que a seca no Nordeste é uma trajetória econômica das empresas de água e saneamento, que a criminalidade e o desemprego são coisas de rico e que os banqueiros estão cada dia se endividando mais.
Estão dizendo pelos quatro cantos do mundo, que a paz é uma questão de tempo, que o terrorismo também é politica e que a fome é exclusividade dos países de primeiro mundo… Comenta-se em todos os lugares, que a moeda brasileira se chamará dólar, que a imprensa internacional é uma caixinha de surpresa, cheio de boas intenções e de boas notícias e que o Vitória será campeão brasileiro, não se sabe quando.
Fala-se a altos brados, que a televisão é instrução necessária e que a tecnologia destruirá o planeta com uma explosão em forma de coração apaixonado, com flores em néon… Estão dizendo por aí, que o ex-presidente Fernando Collor de Mello falou “que daqui para frente tudo será diferente”, que os órgãos públicos são de uma eficiência tão fina que passa no orifício do ralo e que os presídios estão superlotados de brancos e abastados.
Nesse disse-que-me-disse, esqueceu-se de falar, de dizer e comentar, que o nosso voto é uma arma, que nossa sabedoria é justiça, que a miséria tem matado mais que a AIDS e que macumba para o mal, olho gordo e inveja existem em todos os lugares, que a violência é uma questão de princípios éticos políticos e não de guerra, que discurso bonito não enche barriga de ninguém e que o remédio está na ação.
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Referência do Autor:

*Roberto Leal é jornalista, escritor, poeta, dicionarista, repórter fotográfico e ativista cultural. Presidente do Núcleo África da UBESC – União Baiana de Escritores/Brasil, fundador do Movimento Literário Kutanga in Angola/África é Dr. Honoris Causa em Comunicação pela Universidade Ibero Americana. Editor da revista angolana de Literatura & Arte “Òmnira”.
É autor de “C’alô & Crônicas Feridas” – Ed. Òmnira/BA-Brasil, 4ª Edição/2018 e “Letras Pretas Cruas & Nuas – Poesias com luta e Contos de amor” Ed. Òmnira/BAHIA-Brasil – 2019. Organizador do Dicionário de Escritorxs Contemporânxos do Nordeste 1ª e 2ª Edições, Editora Òmnira/2022. Autor do Dicionário de ANGOLÊS, Editora Òmnira-Angola/2023. Tem no prelo o romance histórico afro-ango-brasileiro “Um Carma para Aisha

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