Quarta-feira, Fevereiro 1, 2023
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Desigualdade

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Viva Maria pisa papelão/ amassando lembranças,/ descalça fome caminha/ com seu olhar criança. Sob viadutos eliminados/ a sociedade desova, /cidadãos aniquilados /caixotes feito cova.

Mas o que dizer da Desigualdade na figura de famílias inteiras brasileiras, que se reservam o direito de isolar-se da imposta civilização, da segregação do CPF; do passe limítrofe que e o RG; do beneficio da Bolsa Escola que pode lhe calar a boca; do Vale Gás que dificilmente vai acender a chama; da carteira assinada com direito a FGTS e PIS… Isso reproduz uma certa sensação de liberdade desordenada ou de aparente indigência?
Como n’um poema em que retrata a mãe de família amassando o ganha pão, reduzindo o peso da sua responsabilidade, nas pisadas compassadas no amasso da madeira, que além de papel se transforma em dinheiro, para matar a fome, da fome que massacra a infância e a juventude de milhões de jovens brasileiros, cabisbaixos a margem de uma cidadania duvidosa… Que mesmo com o projeto Minha Casa Minha Vida, não se ergue a autoestima de todos e a casa dificilmente estará regularizada para receber a família desprotegida pela burocracia tupiniquim em tempo hábil, para não escafeder-se em vida…

Os viadutos das grandes capitais, das grandes Metrópoles, são condomínios superfaturados pelo sistema, onde se veem corpos desovados em pontos estratégicos da cidade, mutilados dos seus direitos e da real atenção que não acontece, não restando alternativa senão encarar a guerra, que as ruas nas maiores noites e demoradas horas de horror, proporciona a sobrevivência afiada junto à miséria, a fome e o descaso dos poderes públicos, que consumidos pela corrupção, vê no povo, na massa de manobra, a solução para os seus problemas. Vê nessa mesma miséria uma valorização do investimento publico e de direito…
E com Desigualdade e assim, o povo vivendo enterrado em caixotes de madeira e grandes caixas feitas colchão em papelão, travesseiro de isopor quebradinhos aos pedaços, cozinhando no malabarismo dos tijolinhos e de panela feita lata de tinta, onde em fogo brando a escassez da mistura, boia na abundancia liquida, esfumaçando no carvão de talas de madeira de lixo reciclável; entre cobertores de retalhos e sacos de utensílios, expostos ao edredom do ridículo, da descoberta inconstitucional, da humilhação posicionada nas lentes do universo turístico, que invade e explora essa mesma miséria de ruas, viadutos, marquises e sinaleiras…
De um país que não merece o que fazem com os seus cidadãos; com os seus idosos e com seus jovens também… Ainda escravizados e comercializados no mercado interno ao cambio de blocos, material esportivo, sacos de cimento, dentadura e requisição para exames; com direito a analfabetismo, desconhecimento, falta de cultura, desinformação, extrema desvalorização pessoal e mórbida pobreza. Onde o povo e feito resíduo, apresentado como resto, saldado como resquício e mostrado como retrato de uma nação onde uns têm demais e outros sobrevivem com bem menos aos olhos do mundo.
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Referência do autor :
*Roberto Leal é jornalista, escritor, poeta, dicionarista, repórter fotográfico e ativista cultural. Presidente do Núcleo África da UBESC – União Baiana de Escritores/Brasil, fundador do Movimento Literário Kutanga in Angola/África é Dr. Honoris Causa em Comunicação pela Universidade Ibero Americana. Editor da revista angolana de Literatura & Arte “Òmnira”.
É autor de “C’alô & Crônicas Feridas” – Ed. Òmnira/BA-Brasil, 4ª Edição/2018 e “Letras Pretas Cruas & Nuas – Poesias com luta e Contos de amor” Ed. Òmnira/BAHIA-Brasil – 2019. Organizador do Dicionário de Escritorxs Contemporânxos do Nordeste 1ª e 2ª Edições, Editora Òmnira/2022. Autor do Dicionário de ANGOLÊS, Editora Òmnira-Angola/2023. Tem no prelo o romance histórico afro-ango-brasileiro “Um Carma para Aisha”.

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