Quarta-feira, Fevereiro 1, 2023
Pedagogia

Correntes Psicopedagógicas

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Educação
Segundo BRANDÃO, (1985), educação é todo o conhecimento adquirido com a convivência em sociedade seja ela qual for, sendo assim o acto educacional ocorre no chapa, em casa, na Igreja, na família e todos nós fazemos parte deste processo.

Ninguém escapa a educação, em casa, na rua, na escola, de um modo ou de muitos, todos nós envolvemos pedaços da vida com ela: para aprender, para ensinar e para aprender e ensinar. Para saber, para fazer ou para viver todos os dias misturamos a vida com a educação. Com uma ou com várias: edução ou educações. O mesmo autor afirma que não existe um modelo para se educar, não existe uma única maneira. A educação ocorre a partir do momento em que se observa, entende, emita, se aprende; este processo não acorre somente dentro de uma sala de aula onde existe o professor, formado para educar.

Psicopedagogia
A palavra psicopedagogia significa “ciência aplicada que consiste em aliar a psicologia, especialmente a experimental, à pedagogia, psicologia da educação”.

Segundo SAMPAIO, (2005), Psico-pedagogia é uma área de conhecimento reconhecida, mas que busca em outras áreas o suporte para analisar o educando como um todo (bio-psico-social), e não somente em sua particularidade o fracasso escolar, não aprendizado.

De acordo com BOSSA, não podemos nos esquecer de que a psico-pedagogia distingue-se em três conotações: como uma prática, como um campo de investigação do ato de aprender e como (pretende-se) um saber científico. Portanto essa área do conhecimento apresenta as suas especificidades, não podendo ser considerada, assim, sinônimo de Psicologia Escolar ou Psicologia Educacional.

Atuação da Psicopedagogia
Actualmente podemos dizer que a atuação psicopedagógica está fundamentada em duas áreas: a da educação e a da saúde. Na educação, a função do psicopedagogo é cooperar “para diminuir o fracasso escolar, seja este da instituição, seja do sujeito ou, o que é mais frequente, de ambos, ou por meio de assessoramento aos pais, professores e diretores.

Quanto à atuação psico-pedagógica voltada à saúde, procura-se reconhecer as alterações de aprendizagem sistemática ou assistemática, utilizando-se de diagnóstico na identificação dos múltiplos geradores desse problema, e fundamentalmente, busca-se descobrir como o sujeito aprende. Utilizando-se, no diagnóstico, testes para melhor conhecer o paciente e a sua problemática, os quais são selecionados em função de cada sujeito.

As novas correntes psicopedagógicas
Existem quatro principais correntes psico-pedagógicas: Inatismo ou Apriorismo, Empirismo, associacionismo e teóricos de campo.

O inatismo ou apriorismo
O inatismo ou apriorismo é uma teoria da aprendizagem que considera que o homem já “nasce pronto”, ou seja, as possibilidades de adquirir conhecimentos são hereditárias, inatas, predeterminadas.

Nessa teoria o indivíduo não sofre quase nenhuma transformação, pois o meio ambiente pouco interfere em seu desenvolvimento, as qualidades e capacidades básicas de cada ser humano sua personalidade, seus valores, hábitos e crenças, sua forma de pensar, suas reações emocionais e mesmo sua conduta social já se encontraria basicamente prontas.

Quanto à relação epistemológica básica, Becker (1993) afirma que “todo o desenvolvimento do conhecimento compete restritivamente ao sujeito”.

Logo os objetivos da educação para essa concepção estão relacionados ao aprimoramento do conhecimento e na formação do homem através do afloramento do seu conhecimento.

Enfim pode se perceber que a concepção inatista é utilizada cotidianamente para fundamentar ideologias que marginalizam e rotulam os indivíduos.

Inatismos ou apriorismo são as capacidades básicas do ser humano como personalidade, valores, comportamentos e forma de pensar. Entende-se a educação como uma visão do mundo a ser compartilhada com os membros da comunidade escolar, como um processo de construção no qual os procedimentos sociais, políticos e culturais são desencadeados. O novo paradigma educativo visa construir uma rede de interdependências pessoais, para realizar as diversas actividades pedagógicas.

Empirismo
É uma teoria segundo a qual a origem única do conhecimento humano cientificamente válido é uma experiência sensível. Nossa mente é um papel em branco e apenas no contato dos sentidos com as coisas, começa a gravar impressões. Para esta doutrina, a origem do nosso conhecimento não é em razão, mas na experiência, desde todo o conteúdo do pensamento, primeiro teve que passar pelos sentidos.

Empirismo tem como princípio fundamental considerar que o ser humano ao nascer é como uma tábua rasa e tudo deve aprender, desde as capacidades sensoriais mais elementares aos comportamentos adaptativos mais complexos. A mente é considerada inerte e as ideias vãos sendo gravadas a partir das percepções.

Associacionismo
Associacionismo consiste em explicar que o comportamento complexo é a combinação de uma serie de condutas simples. O principal representante do Associacionismo é Edward L. Thorndike, e sua importância reside em ter sido o formulador de uma primeira teoria de aprendizagem na Psicologia. Sua produção de conhecimentos pautava-se por uma visão de utilidade deste conhecimento, muito mais do que por questões filosóficas que perpassam a Psicologia.

O termo associacionismo origina-se da concepção de que a aprendizagem se dá por um processo de associação das ideias das mais simples às mais complexas. Assim, para aprender um conteúdo complexo, a pessoa precisaria primeiro aprender as ideias mais simples, que estariam associadas àquele conteúdo.

Teóricos de campo
O foco da teoria de campo permite estudar nosso comportamento com uma perspectiva de totalidade, sem ficarmos em uma análise das partes separadas. A influência do campo psicopedagógico sobre o comportamento é tal que Lewin considera que chega a determiná-la: se não existem mudanças no campo, não haverá mudanças no comportamento.

Teóricos de campo consiste na organização dos padrões de percepção, seja pelo aprendizado conduzido ou pelo aprendizado entendido. Fenomenologia: todo o compreendido de modo mais detalhado sem realmente fragmentar as partes.

Contributo das novas correntes psicopedagógicas
A psicopedagogia vem colaborar com todos aqueles que têm dificuldades de aprendizagem, que reprovam, que não conseguem acompanhar os seus colegas e que muitas vezes são “deixados” para trás no processo de aprendizagem. A insatisfação e a inquietação dos profissionais que trabalham com as dificuldades de aprendizagem fizeram com que surgisse a psicopedagogia, permitindo que diversas áreas do conhecimento como Psicologia Cognitiva, Psicanálise, Sociologia, Linguística, Antropologia, Filosofia, entre outros viessem a colaborar com esses alunos que apresentam dificuldades de aprendizagem. Rubinstein, apud Fermino, (1996) coloca que:

“o psicopedagogo é como um detetive que busca pistas, procurando selecioná-las, pois algumas podem ser falsas, outras irrelevantes, mas a sua meta fundamentalmente é investigar todo o processo de aprendizagem levando em consideração a totalidade dos fatores nele envolvidos, para, valendo-se desta investigação, entender a construção da dificuldade de aprendizagem.”

É nessa investigação que o psicopedagogo necessita estar livre de qualquer influência prévia e (pré)-conceito, estar livre de qualquer sentimento, olhar e principalmente saber selecionar tudo o que ouve e enxerga para poder intervir, colaborar, elaborar planos de trabalho com os envolvidos no processo educativo. A psicopedagogia atua no estudo do processo de aprendizagem, diagnóstico e tratamento de seus obstáculos. O psicopedagogo torna-se responsável por detectar e tratar possíveis empecilhos no processo de aprendizagem em instituições

Importância das novas correntes psicopedagógicas
As novas correntes psico-pedagógicas ajudam-nos a entender o aluno como sujeito activo no processo educativo e realizar intervenções buscando compreender o que impede que esse aluno tenha uma relação empobrecida ou conflituosa com o processo de aprendizagem ou com determinado objecto de conhecimento e tentar contribuir para um sucesso nessa aprendizagem.

Psicologia e Educação
A Psicologia da Educação estuda como os seres humanos aprendem em ambientes educativos, a eficácia das intervenções educativas, a aplicação da psicologia no ensino e nas escolas. Embora os termos “psicologia educativa ou educacional” e “psicologia escolar” sejam muitas vezes utilizados como sinónimos, investigadores e teóricos são susceptíveis de ser identificados como psicólogos educacionais, enquanto nas escolas profissionais ou relacionadas com a escola definições são identificados como psicólogos escolares.

A psicologia da educação é uma disciplina de ponte, de natureza aplicada, entre a psicologia e a educação” cujo objecto de estudo são os processos de mudança (desenvolvimento, aprendizagem e socialização) que ocorrem nas pessoas na sequência da sua participação numa ampla gama de situações e actividades educacionais. Trata-se de uma disciplina psicológica e educativa de natureza teórica e aplicada, cabendo ao psicólogo a tarefa de observar (diagnóstico), interpretar (prognóstico) e intervir no acto educativo, aos mais diversos níveis da aprendizagem. É um acontecimento independente da idade e outras características concretas das pessoas e dos traços específicos das situações e atividades educacionais, não se circunscrevendo às que ocorrem em contexto escolar.

Para psicólogo que actua em contexto educativo compete não apenas prevenir e remediar, mas principalmente promover o educando, ao mesmo tempo deve investigar no sentido de adquirir uma maior compreensão e eficiência do processo ensino-aprendizagem.

O psicólogo desta área interessa-se com a forma como os alunos aprendem e se desenvolvem, por vezes em subgrupos particulares como crianças com determinada deficiência. A educação é um processo, é um ato metodológico, e a psicologia da educação é a forma que descrever os processos psicológicos envolvidos nesses métodos. São duas coisas distintas.

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Referências bibliográficas

BECKER, Fernando. A epistemologia do professor: o cotidiano da escola. Petrópolis: Vozes, 1993.
BOSSA, N. A. A psicopedagogia no Brasil: contribuições a partir da prática. 2. ed. Porto Alegre, Artmed, 2000.

BRANDAO.C.R, O que é educação, São Paulo, Brasil, 1985.CAIMI, Flávia Eloísa. Os Paradigmas da História. In: DIEHL, Astor Antônio (Org.). O livro Didático e o Currículo de História em Transição. Passo Fundo: Ediupf, 1999;

CUNHA, André Victor C. S. da. O Impacto do Construtivismo e do Novo Paradigma Historiográfico na Prática Pedagógica do professor de História. In: ANAIS DO 16º. Aracaju: 2003.

DAVIS, Claúdia; OLIVEIRA, Zilma M. R. de. Psicologia na educação. 2. ed. São Paulo: Cortez, 1994.

Fermino Fernandes Sisto… (ET AL). Atuação psicopedagógica e aprendizagem escolar, Petrópolis, RJ; Vozes, 19906.

FREITAS, M.T.A. de. Vygotsky e Bakhtin: Psicologia e Educação: um intertexto. 4.ed. São Paulo: Ática, 2000;

HOUAISS, A. Villar, M. de. S. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva, 2009.

LIBANEO, José Carlos, Didáctica, São Paulo, Cortez Editora, Outubro 2006.

SCHMIDT, M. A. A formação do professor de História e o cotidiano da sala de aula. In: BITTENCOURT, C. (Org.). O saber histórico na sala de aula. São Paulo: Contexto. 2004.

SILVA, T. T. da. O currículo como fetiche: a poética e a política do texto curricular. Belo Horizonte: Autêntica, 1999.

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