Quarta-feira, Fevereiro 1, 2023
Geografia

Conflito Sexual e Selecção Natural

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O dimorfismo sexual do tamanho é um fenómeno frequente em muitas espécies, as fêmeas são maiores que os machos. As vantagens desse dimorfismo sexual são múltiplas e podem estar relacionadas com as necessidades da reprodução.

Uma fêmea de grande porte tem uma fecundidade mais elevada. Nos mamíferos possui recursos em lipidos mais importantes para a lactação. Os machos que não são submetidos a essas exigências da reprodução podem manter um tamanho menor. O tamanho desempenha um papel no comportamento e na escolha do parceiro para o acasalamento em muitas espécies de insectos.

Conteúdos abordados

1 Conflito Sexual
1.1 A figura mostra o comportamento agressivo nas aves
2 Conflito sexual durante o voo nupcial.
2.1 Selecção Natural
2.2 Polimorfia

1.Conflito Sexual
Ocorre quando os diferentes sexos da mesma espécie possuem estratégias de optimização da aptidão diferentes em relação à reprodução, levando a uma corrida ao armamento evolutivo entre machos e fêmeas.

Do ponto de vista biológico, o objectivo do sexo é fundir dois grupos de informações genéticas, um da mãe e outro do pai, para formar um descendente que seja geneticamente diferente de seus progenitores. O sexo é a principal arma da natureza para perpetuar a espécie e garantir a evolução. A batalha dos sexos é real. Machos e fêmeas geralmente estabelecem um conflito feroz enquanto cada um tenta obter sua imortalidade genética. O relacionamento entre machos e fêmeas pode ser complexo e as vezes difícil, pois as tolerâncias são quase sempre levadas ao limite. O conflito tem fornecido evidências que, machos estão continuamente desenvolvendo mecanismos para manipular a fêmea, e estas estão desenvolvendo mecanismo para resistir. Assim sendo derruba se a ideia de que a reprodução sexual é um processo sempre harmonioso e de cooperação entre os acasalamentos, evidenciando que há um conflito de interesses evolutivo dos indivíduos dos dois sexos, assim sendo, nem todos os seres vivos são produtos de relações sexuais pacificas.

Machos usam a dominância como um meio para controlar a exuberância da promiscuidade das fêmeas. Porque as fêmeas têm a oportunidade de conseguir o esperma de mais de um macho e isso possibilita o exercício de um tipo de controle de qualidade sobre quem faz a fertilidade e quanto. Sendo assim o macho dominante evoluiu. Estes animais de grande virilidade, têm força bruta para lutar contra seus rivais, estão preparados para arriscar suas vidas em prol do sucesso sexual, seus genes predizem que não serão detidos por nada quando tomam o que é seu por direito.

O lobo abre a boca na ameaça como movimento intencional de agressão e mostra ao parceiro de luta dentes com predominância canina.

Em um mundo tão promíscuo como este, os animais se dispõem a dançar, cantar e lutar a fim de conseguirem chamar a atenção para a necessidade de dar continuidade à espécie. Na verdade, as fêmeas se beneficiam da promiscuidade fertilizando seus ovos com diferentes espermas e garantindo a qualidade da prole.

Observa-se que a primeira consequência da promiscuidade feminina é que põe os machos sob maior pressão para superarem uns aos outros em todos os aspectos. Analisando as estratégias do macho vamos observar que em muitas espécies o pénis se destina muito mais que lançar esperma, pois funciona também para bloquear o órgão reprodutor da fêmea depois da copula. Fêmeas que acasalam com vários machos, cada pretendente posterior será pai de uma porção maior de seus filhos. O macho irá estimular a parceira para receber mais espermatozóide seu, de algum modo, se livra do espermatozóide dos rivais, espalhando mais dos seus genes que os outros menos astutos.

Por exemplo, algumas espécies de libélula, os machos desenvolvem grandes pénis. O pénis dessa espécie tem um balão (um bulbo inflamável) e dois chifres na ponta, além de longas cerdas dos lados. O macho usa esse aparelho para retirar os espermas do interior da fêmea antes de depositar o seu. Já em Calopterix haemorrhoidalis, ele usa o pénis como um instrumento de persuasão, estimulando a fêmea da maneira certa, pode induzi-la a jogar fora o esperma de machos anteriores. Já em mariposa Olceclostera seraphica, o órgão genital assemelha-se a um instrumento musical, o macho esfrega uma parte na outra e produz vibrações que excitam a parceira.

Em situações conflituosas ocorrem tipicamente modos de comportamentos irrelevantes ou deslocados relativamente à motivação principal. Galos podem interromper a briga para executarem movimentos incompletos de bicar mesmo que não exista alimento no local. Aves cantoras limpam as penas numa situação de conflito sexual ou de agressão. Andorinhas marinhas exibem comportamento de construção de ninho, quando um membro macho da espécie se lhe aproxima. Em todas culturas humanas, a rapariga tende a brincar com a ponta de uma peça do vestuário, ou a mordiscar as unhas ao ser conquistada.

1.1A figura mostra o comportamento agressivo nas aves
Uma outra estratégia para conter a promiscuidade das fêmeas é deixar uma espécie de tampão no trato genital da fêmea. Por exemplo, o zangão, quando atinge o clímax explode, o órgão genital é arrancado do corpo com um estalo. Assim, deixando o órgão genital dentro da fêmea elas a tampam, elas demorarão mais tempo para acasalar com outro macho, o que permitirá que vários ovos sejam fertilizado com o espermatozóide do zangão que morreu. A morte do zangão permite a variabilidade genética da espécie, na medida em que os outros terão a oportunidade de copular com a rainha.

Nem as rainhas estão livres da batalha dos sexos. E os machos criaram uma forma de retirar o cinto de castidade, eles apresentam na ponta do falo uma estrutura peluda que pode desalojar o órgão genital de seu antecessor. E na maioria dos casos a própria rainha retira o tampão.

2.Conflito sexual durante o voo nupcial.
Selecção Natural
Selecção natural significa reprodução diferencial dos indivíduos de uma população em que os mais bem adaptados têm maior chance de deixar descendente.

O conceito básico de selecção natural é que características favoráveis que são hereditárias tornam-se mais comuns em gerações sucessivas de uma população de organismos que se reproduzem, e que características desfavoráveis que são hereditárias tornam-se menos comuns.

A selecção natural age no fenótipo, ou nas características observáveis de um organismo, de tal forma que indivíduos com fenótipos favoráveis têm mais chances de sobreviver e se reproduzir do que aqueles com fenótipos menos favoráveis. Se esses fenótipos apresentam uma base genética, então o genótipo associado com o fenótipo favorável terá sua frequência aumentada na geração seguinte. Com o passar do tempo, esse processo pode resultar em adaptações que especializarão organismos em nichos ecológicos particulares e pode resultar na emergência de novas espécies

Selecção é a mudança da frequência genética, provocada pelas diferentes capacidades dos fenótipos de uma população de contribuírem para a geração seguinte. Determina, que mutações se impõem, que outras desaparecem. A selecção causada por influências ambientais age sobre o indivíduo no seu todo sobre o fenótipo e não sobre o genótipo. A selecção não funciona de modo determinístico, mas sim probabilístico, determinados tipos de genes têm maior chance de contribuir no gen pool da geração futura do que os outros. Indivíduos pouco beneficiados numa população são afastados (colocados no segundo plano) e, finalmente, acabam desaparecendo (a chamada pressão da selecção). A selecção expressa-se no diferente sucesso reprodutivo dos indivíduos de uma população.

Assim, certas características são preservadas devido à vantagem selectiva que conferem a seus portadores, permitindo que um indivíduo deixe mais descendentes que os indivíduos sem essas características. Eventualmente, através de várias interacções desses processos, os organismos podem acabar desenvolvendo características adaptativas mais e mais complexas.

O que faz com que uma característica tenha mais probabilidade de permitir a sobrevivência de seu portador depende muito de factores ambientais, incluindo predadores da espécie, fontes de alimentos, estresse abiótico, ambiente físico e assim por diante. Quando membros de uma espécie tornam-se geograficamente separados, enfrentam diferentes ambientes e tendem a evoluir em diferentes direcções – evolução divergente. Após um longo tempo, essas características poderão ter se desenvolvido em diferentes vias de tal modo que eles não poderão mais se intercruzar, em um ponto que serão considerados como de espécies distintas. Essa é a razão de uma espécie, por vezes, separar-se em múltiplas espécies, em vez de simplesmente ser substituída por uma nova.

Polimorfia
Entende-se por polimorfa (genético) a situação de ocorrerem numa determinada população formas muito divergentes entre si, onde estas diferenças são extremas (coelhos pretos e castanhos, plantas com floração branca e vermelha). Ocorrendo numa população também formas transitórias, a distribuição é contínua, falamos de variabilidade genética numa base genética. Polimorfa só pode relacionar-se e/ou deduzir-se de mutações. De acordo com a natureza da base genética diferenciamos as seguintes formas de polimorfismos:

  • Geopolimorfismo: surge a partir de mutações pontuais, que levam a diferentes alelos de um gene,
  •  Polimorfismo segmentar: surge pela mutação de um segmento;
  • Polimorfismo genómico: aparece a partir da mutação de toda constituição cromossómico.

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