Quarta-feira, Setembro 28, 2022
Saúde

Como Examinar um Doente? Saiba como examinar uma criança, um adulto, um idoso e mais .

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Quando um doente procura ajuda, é necessário começar por lhe fazer algumas perguntas importantes e examiná-lo cuidadosamente, de modo a perceber quais são as suas preocupações e necessidades. É necessário procurar sinais e sintomas  que ajudam a perceber qual a doença que a pessoa pode ter (diagnóstico) e/ou se a pessoa está gravemente doente.

Existem algumas coisas muito importantes que se deve perguntar e observar em todos os doentes: as que o doente sente ou de que se queixa (sintomas); e as que se observam quando se examina o doente (sinais). Os sinais podem ser muito importantes quando se examina crianças e doentes que não conseguem falar.

Para saber quais são os sintomas do doente, devem ser feitas perguntas que permitem colher a sua história clínica (ou anamnese). Para se observar os sinais  da doença, é preciso fazer um exame físico cuidadoso do doente.

Se o doente é uma criança, as perguntas devem ser feitas à mãe ou à pessoa adulta que a acompanha e é necessário, antes de tudo, pedir e examinar o seu Cartão de Saúde.

É fundamental conhecer se a criança está a ganhar peso normalmente, de acordo com a sua idade, e se tem as vacinas em dia. Se a criança não está a crescer bem, deve-se procurar identififi car se pode existir uma razão para isso (doenças anteriores, dieta, problemas familiares como o nascimento de outra criança, etc.

Se o doente é um idoso:

  • Tratar com respeito, mantendo a sua dignidade.
  • Ouvir com cuidado o que diz.
  • Levar as suas queixas a sério, emvez de classififi car os problemas como próprios da idade.
  • Aceitar que o doente pode ter problemas de visão e audição.
  • Facilitar o acesso a medicamentos gratuitos para as doenças crónicas, por exemplo, comprimidos para a diabetes.
  • Providenciar, se possível, serviços de reabilitação como a fifi sioterapia, para os problemas da marcha e artrites que surgem com a idade.
  • O exame dum doente deve ser sempre feito num lugar onde haja bastante claridade: de preferência à luz do dia – nunca num quarto escuro.
  • Para complementar e/ou confifirmar o diagnóstico da doença devem ser pedidos exames laboratoriais, quando e onde for possível realizá-los.

O que fazer?

  • Receber o doente com uma frase amistosa, apresentar-se e perguntar o nome do doente.
  • Se o doente não fala português, usar a língua local.
  • Deixar o doente à vontade para dizer tudo o que sente.
  • Garantir ao doente a confifi dencialidade das informações que dá.

Não deve:

  • Movimentar-se constantemente ou sair da sala enquanto está a atender o doente.
  • Fazer gestos ou comentários que dão a entender que não concorda com aspectos negativos da vida do doente.
  • Deixar que outros colegas entrem na sala onde estamos a observar o doente.

História clínica (perguntas)

O contacto com o doente deve começar com uma atitude e uma frase amistosas, antes de se começar a fazer perguntas para obter a história clínica. Isto é muito importante para quebrar as dififi culdades de comunicação e permitir ao doente dar a história completa, pelas suas próprias palavras.

É importante fazer uma pergunta de cada vez e ter a certeza que o doente a percebeu bem. Só se deve continuar o interrogatório depois de ter recebido uma resposta clara à pergunta anterior.

As perguntas devem ser feitas seguindo uma sequência que permita identifificar:

  • qual é a queixa principal do doente, quando e como começou, como evoluiu, de modo a perceber qual é a história actual da sua doença;
  • se o doente teve doenças anteriores à actual, bem como as suas anteriores condições sociais, e/ou profifissionais. Isto pode permitir compreender quais os antecedentes pessoais do doente que podem estar relacionados com o seu estado actual de saúde;

se existem, ou existiram, doenças na família do doente (antecedentes familiares) que podem ter inflf uência no seu estado actual de saúde.

A colheita da história clínica também permite ir avaliando o estado geral do doente: por exemplo, se este revela ou não muita dor, se está nervoso ou deprimido, etc.

À medida que se interroga e se examina um doente, devem ser  anotados todos os achados que se vão encontrando.

Queixa principal e história actual Para identifificar o sintoma que constitui a queixa principal do doente e para colher a história actual da sua doença, pode-se fazer as seguintes perguntas ao doente, à mãe ou acompanhante duma criança doente:

De que é que se queixa? O que é que o incomoda mais neste momento?

É preciso notar que, por vezes, o doente não consegue comunicar a sua queixa principal, logo no primeiro contacto com uma pessoa que não conhece bem. Só à medida que a conversa vai progredindo se consegue saber qual é a queixa ou preocupação principal do doente.

Por exemplo: um doente com impotência sexual, pode não referir logo de início essa queixa;

Uma mulher com problemas de infertilidade (difificuldade em ter filhos) pode vir queixar-se duma dor abdominal.

Como e quando começou a doença?

A definição do início e da duração do sintoma deve ser muito clara. Início súbito ou há poucos dias, indica uma situação aguda Início gradual ou o sintoma presente há mais de 2 semanas indica uma situação crónica

No caso da tosse por exemplo, pode sugerir: Início súbito – um corpo estranho

Há poucos dias – uma infecção viral ou bacteriana

Há mais de 2 semanas – tuberculose pulmonar

O que aconteceu desde que começou esta doença?

É importante tentar perceber qual tem sido a evolução da doença desde que começou.

Por exemplo, um doente que refere que está a emagrecer progressivamente, é porque está a piorar. Neste caso devemos suspeitar que o doente pode ter SIDA ou uma outra doença grave.

Há alguma coisa que alivia, ou que faz piorar, o seu problema?

Por exemplo: na úlcera duodenal , o doente pode referir uma dor que alivia depois de comer na insufificiência cardíaca , o doente refere falta de ar que é agravada pelo esforço físico.

É a primeira vez que tem este problema, ou isto já aconteceu antes?

Por exemplo: no caso de asma, o doente dá uma história de que já teve anteriormente ataques idênticos de dificuldade respiratória e de tosse.

Na colheita da história actual da doença, é muito importante definir bem as características dos sintomas que o doente refere.

Usando a tosse como um exemplo, deve-se perguntar se esta é acompanhada de expectoração e quais são as suas características. Se esta é: amarela/esverdeada – sugere uma infecção bacteriana (pneumonia, bronquite)

com sangue – sugere pneumonia ou tuberculose pulmonar.

Se o doente refere dor, é preciso perguntar:

  • Onde é que dói? (Pedir para apontar o lugar exacto com um dedo)
  • Dói sempre ou só de vez em quando?
  • Como é essa dor? (aguda? intensa? tipo ardor?)
  • Consegue dormir, apesar da dor?

Se o doente é uma criança que ainda não fala, é preciso procurar sinais de dor.

É preciso observar os seus movimentos e o modo como a criança chora. Por exemplo: uma criança que tem dores de ouvido, muitas vezes esfrega o mesmo lado da cabeça ou puxa a orelha.

Outro aspecto fundamental da história clínica actual consiste em recolher informação sobre a gravidade do sintoma que o doente refere como queixa principal.

Por exemplo, no caso duma criança com diarreia, é preciso saber o número de dejecções (número de vezes que tem diarreia) por dia. Isto ajuda a avaliar o risco que a criança corre de fifi car desidratada.

Ainda no caso duma criança, é preciso perguntar se a criança brinca bem:

  • uma criança que brinca normalmente, em geral não tem uma doença séria.
  • Desde que começou esta doença, já fez algum tratamento ou tomou alguma coisa?

Deve-se procurar saber se o doente já fez algum tratamento, para evitar a repetição de prescrições (receitas) que possivelmente não resultaram. Por exemplo, um doente que fez um tratamento completo

com um medicamento antimalárico e continua com febre alta, pode não ter malária, ou então pode ter uma

malária resistente a esse medicamento.

Na sua família, ou na sua área, estão outras pessoas com um problema como este?

Muitas doenças são infecções que passam dumas pessoas para as outras (por ex., sarampo, sarna).

Se um familiar próximo está ou esteve com a mesma doença, isto pode ajudar a

identifificar o diagnóstico e o procedimento a seguir com o doente.

No caso de diarreia aguda, se outras pessoas na área estão com a mesma doença, deve-se pensar em cólera.

Antecedentes pessoais

Na colheita da história clínica, é importante conhecer alguns aspectos da vida do doente, anteriores ao aparecimento da doença actual e que podem estar relacio nados com esta. Para isso, devem ser dirigidas perguntas ao doente, de modo a identifificar:

Doenças anteriores

Perguntar ao doente se teve outras doenças, se esteve internado, se foi operado, ou foi a consultas anteriores. Isto deve ser registado, por ordem do aparecimento, anotando as datas em que surgiram e a sua duração.

Com a experiência, aprende-se a perguntar os pontos mais importantes dos antecedentes pessoais e a identificar os que podem estar relacionados com adoença actual. Por exemplo: Uma criança com perda de peso: o processo da doença pode ter iniciado desde a altura em que a criança teve sarampo, há meses atrás.

Um adulto com infecções de repetição: sugere um diagnóstico de HIV e SIDA.

Tipo e condições de trabalho

É importante conhecer, não só o tipo de trabalho actual do doente, mas também outro ou outros que o doente teve no passado. Por exemplo: o doente que agora é camponês, mas já foi trabalhador das minas.

Uso de medicamentos

O uso prolongado de certos medicamentos pode dar informação sobre a doença actual. Por

exemplo: o AAS pode ser a causa duma gastrite.

Antecedentes familiares ou hereditários

É útil tentar saber se alguém da família sofreu, ou tem sofrido de alguma doença. Isto pode ajudar a

identififi car algumas doenças hereditárias, tais como alergias, asma, etc.

Exame físico

Depois de colher a história clínica, o trabalhador de saúde que está a atender o doente tem de fazer o seu exame físico. Muitas vezes, na unidade sanitária, a bicha dos doentes é longa e nem sempre é possível fazer um exame físico completo e pormenorizado a cada um deles. Mesmo assim, é necessário fazer, pelo menos, um exame físico relevante para as queixas ou sintomas apresentados pelo doente. Nos doentes em que o diagnóstico não está claro tem que ser feito um exame mais completo e cuidadoso.

O exame físico de um doente consiste em:

  • Observar o estado geral do doente (aspecto geral).
  • Determinar os dados vitais.
  • Fazer o exame sistemático do corpo.
  • O exame duma criança faz-se da mesma forma que o dos adultos, mas a mãe, ou o pai, devem estar presentes.
  • As crianças pequenas devem estar, sempre que possível, ao colo dos pais e é importante criar um ambiente para que elas se sintam à vontade. Por exemplo, pode-se deixar a criança brincar com o estetoscópio ou com outros objectos durante a observação. Uma criança que está assustada e a chorar pode levar a conclusões erradas.

Pontos importantes e a não esquecer no exame da criança:

  • Avaliar, antes do exame, a temperatura e o peso.
  • Pedir aos pais o cartão de saúde da criança para verififi car o seu crescimento e as vacinas.
  • Mandar despir completamente a criança, mas sem a incomodar ou irritar.
  • Nas crianças deve ser feito, por rotina, um exame completo e procurar com atenção os possíveis sinais de perigo .

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