Terça-feira, Janeiro 31, 2023
Historia

Comércio de Ouro e a Penetração Portuguesa no Estado Mwenemutapa

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O comércio de ouro compreende o período que vai desde 1505 a 1693, o poder dos Mwenemutapas e dos mambos em geral não advinha apenas das rendas e dos tributos que recebia regularmente. O comércio a longa distância, nomeadamente: o comércio de ouro era a outra fonte do poder dos mambos. O ouro constituía o principal artigo de comércio, com efeito, já muito antes da chegada dos mercadores Portugueses os Swuahili-Árabes controlavam ouro vindo de império de Mwenemutapa.

A partir dos meados do século XVI, o comércio Português para interior do Mwenemutapa aumentou, começando-se, a partir de aproximadamente 1580, a estabelecer as primeiras feiras comerciais Portuguesas no planalto: Massapa, Bukutu, Ruhanje, Manzovo, Bambarare, Chipirivire. Massapa foi a feira mais importante encontrando-se nela o capital da Porta que era o principal intermediário nas relações entre os Portugueses e Mwenemutapa

Não foi o comércio que veio criar exploração, ele veio antes inscrever-se nas anteriores relações de produção e exploração intensificando-as e fazendo desviar o campezinato para uma produção que não era interior a estrutura social.

Foi fundamentalmente ouro que trouxe os Portugueses a Moçambique. O ouro permitia lhes comprar, entre as outras coisa, as especiarias Asiáticas com as quais a Burguesia mercantil portuguesa penetrava no mercado Europeu de produto exóticos. Moçambique passou a constituir uma espécie de reserva de meio de pagamento das especiarias e essa foi a razão que os Portugueses se fixaram no país, primeiro como mercadores e só mas tarde como colonizador efectivo.

Na tentativa de monopolizar a via fluvial do rio Zambeze, utilizada pelos Árabes, e fugir ao bloqueio movidos pelos soberanos de Quiteve e Sedenda, os Portugueses fundaram os entrepostos de Tete e Sena por volta de 1530 e Quelimane em 1544. Tratava se, já não de tentativa de controlo das vias de escoamento de ouro, mas do próprio acesso as zonas produtora. A preferência que os africanos tinham em relação ao comércio com mercadores asiáticos, apesar da proximidade geográfica com os portugueses justifica as tentativas Portuguesas de envolvimento na esfera ideológica do Estado. Encetada na segunda metade do século XVI, em1560 por exemplo foi organizada e enviada uma expedição missionária a corte do imperador chefiado por Padre Gonçalo da Silva com plano de converter a classe dominante a religião católica.

Para os Portugueses, ter o imperador e a sua família baptizada serviria de trampolim para a concretização dos seus planos: marginalizar os mercadores asiáticos; influenciar as decisões políticas do imperador em benefício dos Portugueses; promover manobra no sentido de se alargar o período que os camponeses dedicassem a produção de valor de troca (ouro) em detrimento de produção de valor de uso. A expedição missionária não conseguiu atingir os objectivos traçados

Em 1572, e em retaliação ao acontecimento de 1560, os Portugueses enviaram uma expedição militar com objectivo de conquistar as zonas produtivas de ouro, punir e submeter o imperador sendo no plano aprovado. Neste comércio nota-se que os Portugueses tinham muitos interesses, ao invés de controlar o próprio comércio, queriam situarem-se juntos as zonas de produção de ouro; bloquear as actividades comerciais dos Árabes; tornar o Zambeze inacessível para este mercador Árabe; ocupar a classe dominante do império para graduar e facilmente se envolverem na esfera política; ideológica da sociedade Shona.

Consequências do Comércio de Ouro

Muitos camponeses passaram a dedicar muito tempo na mineração e menos tempo na produção agrícola quer directamente para os Portugueses quer para a aristocracia dominante; mortes demasiadas devido as mas condições de trabalho; fuga de comunidade inteira da área mineira mais trabalhada.

O papel do comércio foi importante no reforço, e talvez, mesmo, na modificação do estado, mais nunca foi determinante no sistema político e mesmo aponta que, a partir de aproximadamente 1580, os Portugueses começaram a estabeleceram as primeiras feitorias comerciais no planalto.

Decadência do Estado de Mwenemutapa

A primeira década do século XVII marcou o início de uma nova era no Estado dos Mwenemutapas, a classe dominante encontrava se envolvida em profundas contradições. Gatsirusere, o imperador, militarmente impotente para debelar a revolta por Matuziane, foi obrigado a solicitar o apoio militar Portuguesa. Em 1607, com ajuda dos Portugueses a rebelião foi vencida e o imperador prometeu terras férteis e rica com recompensa aos Portugueses. Entre 1627 a presença Portuguesa foi se consolidando, com o estabelecimento de prazeiro e missionários, com a morte de Gatsirusere, a coroação de Caprazine abalou a estabilidade e os privilégios dos Portugueses. Contudo, Caprazine não defendia a política iniciada por Gatsirucere em relação aos portugueses.

A inquietação dos portugueses foi ultrapassada em 1929. Mavura, tio de Caprazine e cúmplice aos Portugueses organiza com apoio de exército Portugueses um golpe que derrubou o sobrinho. Mavura deixou se baptizar e passou a usar o nome cristão de D. Filipe II. O comprometimento do novo imperador culminou com assinatura no mesmo ano de 1629, no tratado que transformou o império no estado vassalo de Portugal.

Pouco antes de 1693 o Mwenemutapa reinante mandou um emissário receber a curva (um tributo em tecidos que os Portugueses tinha de pagar as classes dominantes chona) a Manica, o emissário foi chicoteado pelos mercadores portugueses.    Insatisfeito com o procedimento dos portugueses, Changamire Dombo que governava a área de Torwa o oeste de Manica, foi convidado para dirigir um levante armado contra presença portuguesa, que culminou com a vitória. Este levante, teve as suas implicações: destruição de prazos; igrejas e estabelecimentos portugueses localizado ao sul de Zambeze. A revolta significou o início do desmembramento e declínio de império, porque as regiões que não directamente controlada pelo imperador aproveitaram o clima de instabilidade para contestar a sua autonomia.

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