Quarta-feira, Fevereiro 1, 2023
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Castro Alves in Memoriam Poética

Castro Alves in Memoriam PoéticaCastro Alves in Memoriam Poética
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Os brasileiros de hoje deveriam não comemorar só o dia 14 de março, dia internacional da poesia, nascimento do poeta Castro Alves, como também sua morte no próximo dia 6 de julho, dia do seu passamento, como também tomar conhecimento do que, normalmente, ele significou. Morrendo aos 24 anos do mal do século XIX- a tuberculose -, a temática que abordou indica participação e atualidade… Primeiro, contra as monarquias, pois estavam autoritárias, sem Constituição, ou sem a sua aplicação, e o ideal politico do liberalismo indicava a República e, assim, Castro Alves adotou os ideais republicanos. Segundo, Castro Alves, mais que todos os românticos e políticos nacionais, lutou pela liberdade dos escravos.

Seus poemas, como Navio Negreiro e outros, não têm comparação com nenhum dos poetas brasileiros, inclusive Fagundes Varela, ao qual Castro Alves considerava o grande poeta dessa época. Lembrar que, com tão poucos anos de vida, Castro Alves, além de latim, falava, escrevia e traduzia francês, tendo ainda visão generalizada da língua inglesa, assim como da italiana e espanhola… Se não era um poliglota, tinha ao menos conhecimento da estrutura de varias línguas. Traduzia e adaptava Victor Hugo, Lamartine, Henry Murger, D. Guilhermo Gana, Musset, Espronceda e semelhantes, com os pulmões furados, boêmio, tendo perdido por infeliz acaso o pé esquerdo (tiro próprio inesperado), demonstrava a grandeza intelectiva, o talento e mesmo a genialidade do poeta. Sua genialidade não vem, evidentemente, de ter conhecido línguas e feito traduções, mas de sua  inspiração e intuição em um século de puro racionalismo.
Seus versos é que são geniais, o tom, pathos, sem se falar que varias de suas poesias foram cantadas, é ouvir cantar Andréa Daltro e que ele cantava, colocou a modinha em alto estilo na poesia nacional. Teatrólogo, sua maior amante, a portuguesa e mulher de teatro Eugênia Câmara, levou a fazer publico, em Recife, Salvador e São Paulo, com o seu drama o Gonzaga. Pintava, desenhava, conhecia música. Chegar a tanto aos 24 anos é simplesmente notável. A temática negra, em trabalhos fora do comum, em qualquer país que então tratou da negritude, Vozes d’África, poemas fotográficos sobre a vida do negro e seu sofrimento, sua existencialidade brasileira, ultrapassam elogios.
Pedro Calmon e Afrânio Peixoto deixaram livros definitivos sobre Castro Alves que as novas gerações deveriam ler estudar, analisar e ver as dimensões “castroalvinas”. O saudoso poeta recitador da obra Castroalvina, antes da geração Marcos Peralta, Eduardo Teles que escreveu  “Castro Alves e o Sonho de Liberdade” – Selo Letras da Bahia/2001 e do jornalista e advogado Osvaldo Devay de Sousa  pode-se ler  “Castro Alves e outras epigrafe” – Ed. Independente em homenagem aos 40 anos da UFBA. Mais um detalhe: Castro Alves era poeta ecológico, sem esse nome poeta amante da natureza, um penenteísta em filosofia (Deus em tudo e tudo em Deus). (Elaborado por Roberto Leal) .
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Referência do Autor:

*Roberto Leal é jornalista, escritor, poeta, dicionarista, repórter fotográfico e ativista cultural. Presidente do Núcleo África da UBESC – União Baiana de Escritores/Brasil, fundador do Movimento Literário Kutanga in Angola/África é Dr. Honoris Causa em Comunicação pela Universidade Ibero Americana. Editor da revista angolana de Literatura & Arte “Òmnira”.
É autor de “C’alô & Crônicas Feridas” – Ed. Òmnira/BA-Brasil, 4ª Edição/2018 e “Letras Pretas Cruas & Nuas – Poesias com luta e Contos de amor” Ed. Òmnira/BAHIA-Brasil – 2019. Organizador do Dicionário de Escritorxs Contemporânxos do Nordeste 1ª e 2ª Edições, Editora Òmnira/2022. Autor do Dicionário de ANGOLÊS, Editora Òmnira-Angola/2023. Tem no prelo o romance histórico afro-ango-brasileiro “Um Carma para Aisha”.

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