Quarta-feira, Setembro 28, 2022
Biologia

Briófitas : Classificação , Habitat, Importância ecológica e econômica das briófitas

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Briófitas são plantas de pequeno porte encontradas principalmente em áreas úmidas. Musgos, hepáticas e antóceros são exemplos de briófitas.
Os musgos são plantas de pequeno porte que formam verdadeiros tapetes verdes.
Os musgos são plantas de pequeno porte que formam verdadeiros tapetes verdes.
Briófitas são plantas avasculares que apresentam como representantes musgos, hepáticas e antóceros. Assim como outros grupos de plantas, as briófitas se destacam por possuírem ciclo de vida com alternância de gerações. O gametófito haploide compõe a fase dominante, enquanto o esporófito é uma fase que dura apenas pouco tempo.

Essas plantas se caracterizam por serem avasculares, um dos motivos que impedem que elas atinjam grandes tamanhos. Algumas briófitas, no entanto, possuem células especializadas na condução de água e nutrientes. Além de não possuírem vasos condutores, briófitas não possuem sementes, flores e frutos.

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Resumo sobre briófitas

  • Briófitas são plantas avasculares.
  • Alguns musgos apresentam células especializadas na condução de substâncias.
  • Briófitas não possuem semente, flores e frutos.
  • No ciclo de vida de uma briófita, a fase de gametófito é dominante.
  • Para que os anterozoides atinjam a oosfera, é fundamental a presença de água.
  • As briófitas atuais são divididas em três filos: Marchantiophyta, Bryophyta e Anthocerophyta.
Aspectos gerais das briófitas

Briófitas são plantas relativamente simples que não possuem:

  • vasos condutores (xilema e floema);
  • semente;
  • flores;
  • frutos.

Devido à ausência de vasos condutores, essas plantas são chamadas de avasculares, diferindo-se das pteridófitas, que são vasculares. Embora não possuam xilema e floema, em muitos musgos é possível observar tecidos especializados na condução de água e nutrientes. Nessas plantas, as células condutoras de água são chamadas de hidroides, e as células responsáveis por conduzir substâncias nutritivas são chamadas de leptoides.

Algumas briófitas são talosas, e outras são folhosas. As talosas são aquelas que apresentam corpo não diferenciado em raiz, caule e folhas. As folhosas, por sua vez, apresentam diferenciação entre rizoide, filídio e caulídio.

Apesar de as estruturas parecem folhas e caules verdadeiros, elas não podem ser assim consideradas, pois verdadeiros caules e folhas são produzidos pelos esporófitos, e nessas estruturas há presença de tecidos de condução.

No que diz respeito ao rizoide, a estrutura também não possui tecidos de condução e está relacionada apenas com a fixação do vegetal ao substrato. De forma distinta da raiz das plantas vasculares, os rizoides não estão relacionados com absorção de água e sais. Nas briófitas, a embebição ocorre por meio de todo o corpo do gametófito.

As briófitas são plantas que não atingem grande porte. Seu pequeno porte é explicado pelo fato de seu corpo ser muito delgado e a ausência de tecidos de condução impossibilitar o transporte de água e nutrientes a longas distâncias. Como salientado anteriormente, alguns musgos possuem tecidos especializados, o que garante maior altura nessas plantas, sendo possível observar indivíduos com mais de 50 cm.

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Habitat das briófitas

As briófitas ocorrem em diferentes ambientes, no entanto, são encontradas principalmente em locais úmidos de florestas e ao longo de cursos d’água. Uma das razões para isso é a dependência da água para sua reprodução.

Vale destacar, no entanto, que essas plantas também podem sobreviver em locais considerados hostis, como:

  • desertos;
  • superfícies expostas de rochas;
  • ambientes gelados, como o continente Antártico.

Destaca-se que algumas espécies são aquáticas, porém não há espécies verdadeiramente marinhas, exceto o musgo Fontinalis dalecarlica, que ocorre no norte do mar Báltico em razão da baixa salinidade local.

Ciclo de vida das briófitas

Todas as briófitas, assim como as plantas vasculares, apresentam ciclo de vida com alternância de gerações. Nas briófitas, o gametófito é a fase de vida dominante, maior e de vida livre, sendo o esporófito menor, nutricionalmente dependente do gametófito e de vida curta. A seguir, conheceremos melhor o ciclo de vida das briófitas, utilizando como exemplo os musgos.

Ilustração do ciclo de vida do musgo, um exemplo de briófita.
A figura acima representa o ciclo de vida de um musgo.

O esporófito é a fase produtora de esporos, uma geração diploide. Ele é formado por três partes básicas: o pé, inserido no arquegônio do gametófito; a seta, haste que segura a cápsula; e a cápsula, localizada na extremidade da seta e responsável por produzir os esporos por meiose.

Os esporos, que são estruturas haploides, são liberados e, com a ajuda do vento, dispersados pelo ambiente. Se caírem em um ambiente adequado, como solo úmido, germinam e dão origem ao protonema, que origina o gametófito.

O gametófito é a fase produtora de gametas, uma geração haploide. Nos musgos, há gametófitos masculinos e femininos. No gametófito masculino, há anterídios que produzem os anterozoides, únicas células flageladas nas briófitas. O gametófito feminino, por sua vez, apresenta arquegônios, os quais produzem a oosfera. Cada arquegônio produz uma única oosfera, enquanto os anterídios produzem numerosos anterozoides.

Os anterozoides são liberados e nadam em direção à oosfera. Para que consigam atingi-la, é fundamental a presença de chuva ou de gotas de orvalho. Os anterozoides são quimicamente atraídos para o arquegônio, onde encontram a oosfera, se fundem e dão origem ao zigoto. O zigoto se divide e dá origem ao esporófito. O esporófito então produz esporos e os libera, reiniciando o ciclo.

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Classificação das briófitas

As briófitas atualmente são divididas em três filos: Marchantiophyta, Bryophyta e Anthocerophyta. Marchantiophyta é o filo do qual fazem partes as hepáticas. Nesse grupo, que conta com mais de 5.000 espécies, há representantes talosos e também folhosos. As hepáticas se destacam pela ausência de estômatos, característica observada nos outros filos. O nome de hepática faz referência aos gametófitos em forma de fígado.

Visão aproximada de hepáticas.
As hepáticas são plantas assim denominadas em referência ao gametófito com formato de fígado.

Bryophyta é o filo mais diversificado, apresentando cerca de 12.800 espécies, de modo que nele estão incluídos os musgos, um dos representantes mais conhecidos de briófitas e que formam grandes tapetes verdes no solo. Apresentam hidroides e leptoides, células especializadas no transporte de substâncias pelo corpo da planta.

Por fim, há o filo Anthocerophyta, o menos diverso entre as briófitas, possuindo cerca de 300 espécies. No filo Anthocerophyta, estão as plantas conhecidas como antóceros. O nome do filo tem origem do grego keras, que significa “chifre” e é uma referência ao formato do esporófito.

Importância ecológica e econômica das briófitas

  • Briófitas compõem a flora de várias regiões do planeta, sendo abundantes, por exemplo, em florestas tropicais e temperadas.
  • São consideradas plantas pioneiras, conseguindo se estabelecer em locais como rochas nuas e solos desnudos.
  • São indicadores ambientais, pois estão parcial ou totalmente ausentes em regiões muito poluídas.
  • Musgos do gênero Sphagnum fazem parte do que chamamos de turfa, material orgânico parcialmente decomposto. As turfeiras são importantes no ciclo do carbono, uma vez que essas áreas armazenam grandes quantidades do elemento.
  • No passado, musgos do gênero Sphagnum, devido a suas capacidades antissépticas e de absorção, eram usados para fazer curativos e fraldas. Esse musgo também é usado por jardineiros para aumentar a capacidade de retenção de água pelo solo.
  • Além disso, a turfa é usada como combustível e no tratamento de derramamento de óleo na água.

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