Quarta-feira, Fevereiro 1, 2023
Pedagogia

Aprendizagem :Formação da consciência Histórica dos Alunos e Professores

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Conceito da consciência Histórica

Consciência é o termo que significa conhecimento, percepção, honestidade, também pode relevar a noção dos estímulos de um indivíduo que confirme a sua existência.

Consciência Histórica pode ser entendida como uma representação social que uma colectividade adquire advinda do seu desenvolvimento no espaço e no tempo, é o elemento que permite ao homem compreender a demissão da própria história sem qual o homem não poderia compreender quem ele é e o que foi.

Consciência histórica é a forma de nos sentirmos em outros que nos são próximos, outros que anteciparam a nossa existência que por sua vez antecipara a de outros. Ao assegurar um sentimento de continuidade no tempo e na memoria. A consciência histórica contribui para a formação da identidade individual e colectiva.

A formação da consciência Histórica de alunos e professores e o quotidiano em aulas de História 

A consciência histórica está relacionada com o desenvolvimento da identidade. Sem a consciência histórica sobre o nosso passado não perceberíamos quem somos. Por isso, o sentimento da “identidade” – entendida no sentido de imagem de si, e para os outros – aparece associado à ”consciência histórica”.

A consciência histórica de uma pessoa ou mesmo de um povo dá-nos uma visão sobre a forma como se vive com o passado, com os mitos e fantasmas, é uma representação do passado sob múltiplas perspectivas, isto é, a consciência histórica resulta de diversas representações do passado.

A consciência histórica estabelece uma relação dinâmica entre o passado e o presente. Em suma a conceito de consciência histórica é composto pela incorporação da ideia de que existem diversas formas de conceber o grupo em relação ao tempo.

Formação da consciência histórica para os alunos

A consciência histórica para os alunos importa assumir como ponto de partida, identificar aspectos que influenciam e promovem aquisição de conhecimentos em diferentes momentos e situações quotidianas.

É importante compreender a história que se aprende fora da relação pedagógica escolar, porque ela é apenas um dos momentos do aprendizado da história por parte dos alunos, porque muito dos seus conceitos sobre o tempo, sobre a identidade, sobre o passado são apreendidos antes, fora e do ensino formal.

Idem, Os alunos chegam a aula de história carregados de concepções, noções, ideias, preconceitos e informações cujo aprendizado não foi controlado pelo professor e pela escola, mas sim resultado de experiencias pessoais, no convívio com os mais velhos e seus conhecimentos no contacto diário com os meios de comunicação de massa notadamente a televisão.

Como incutir a consciência histórica aos alunos

Segundo Santos, para incutir a consciência histórica ao aluno é necessário intervir, promover novas possibilidades de interagir com conhecimento adquirido pelo aluno em diversos momentos da vida quotidiana, ou seja, em sua realidade dentro e fora do espaço escolar.

-através das actividades desenvolvidas e aplicadas na escola;

-relações de interacção ou integração com a realidade sociocultural;

-através de meios de comunicação e leitura no geral.

Importância da aula na formação da consciência histórica

Conceito de aula

Aula é um conjunto de meios e condições pelos quais o professor dirige e estimula o PEA em função da actividade própria do aluno o processo da aprendizagem escolar, ou seja, a assimilação consciente e activa dos conteúdos.

A expressão “aula como espaço de conhecimento ”, discute o ensino aprendizagem não apenas em termos de estratégias de ensino, mas da natureza dos papéis que alunos e professores têm na elaboração do conhecimento.

Do ponto de vista do ensino de história, defende-se a ideia de aula como “ o momento em que, ciente do conhecimento que possui, o professor pode oferecer ao seu aluno a apropriação do conhecimento histórico existente, através de um esforço e de uma actividade que edificou este conhecimento” (Schmidt, 1998). No entanto esses elementos constituem-se em referência valiosa para conceitualizar a aula como espaço de compartilhamento de experiencias individuais e colectivas, de relação dos sujeitos com os diferente saberes envolvidos na produção do saber escolar.

A consciência crítica pressupõe o domínio da injustiça, ou seja, é necessário que o sujeito saiba identificar o que é injusto, para que, a partir daí, busque respostas, no encontro com o outro, estabelecendo um diálogo do qual resulte o saber.

Na formação da consciência crítica é necessário que a injustiça se torne um percebido claro para a consciência, possibilitando aos sujeitos a inserirem-se no processo histórico e fazendo com que eles se inscrevam na busca de sua afirmação.

Pode-se afirmar que assumir o primeiro princípio da Didáctica da História torna se necessário que professores e alunos busquem a renovação dos conteúdos, a construção de problematizações históricas, apreensão de várias histórias lidas a partir de distintos sujeitos históricos, das histórias silenciadas, histórias que não tiveram acesso á história. Desta forma, busca-se recuperar a vivência pessoal e colectiva de alunos e professores e vê-los como participantes da realidade histórica, a qual deve ser analisada e retrabalhada, com o objectivo de convertê-la em conhecimento histórico.

A formação da consciência histórica dos professores

A experiência humana aqui apreendida, nessa perspectiva indiciária não possuí apenas uma dimensão localizada (Histórias familiares), mas articula-se com a experiência de outras pessoas, de outras épocas.      

No entanto, “a consciência Históricas não é idêntica à lembrança ”, pois, “só si pode falar de consciência histórica quando, para interpretar as experiências actuais do tempo, é necessário mobilizar a lembrança de certa maneira: ela é transportada para o processo de tornar o presente e o passado”.

A construção da consciência histórica exige conteúdos que permitam o desenvolvimento de uma argumentação histórica crítica, na medida em que tais conteúdos buscam não a mobilização do todo passado, mas de experiências específicas do passado relacionadas a sua própria existência.

A construção da consciência histórica crítica de alunos e professores, a avaliar por GARCIA e SCHMITD (2005) deve considerar:

  • A relevância do saber a ser ensinado, encontrado nos documentos e na experiência dos alunos e professores em confronto com outras fontes;
  • A acção dos professores em aulas de história, com o apoio dos materiais de ensino produzidos com os alunos;
  • O novo tipo de relação que os alunos estabeleceram com o conhecimento histórico, compreendendo-o como algo que não se compara com o simples a cúmulo de conhecimento.

Como resultado de referido Projecto, regista-se uma revolução em relação ao conhecimento: ao participarem do mesmo, os professores aprenderam a encontrar o conteúdo nas diferentes formas da história, e também a trabalhar com esses conteúdos em aula.

Doutro modo, trata-se de aproximar professores e alunos das formas como são produzidos os saberes, permitindo que eles se apropriem e/ ou construam maneiras pelas quais esses saberes possam ser ensinados e aprendidos. No mesmo ponto de vista torna-se possível compreender que a forma pela qual se produz o conhecimento histórico hoje não é a mesma dos historiadores do século XIX e que, portanto, a forma de ensinar história também não será a mesma.

LIBÂNEO, J. Carlos. Didáctica. São Paulo: Cortez, 1994, pp.256.GARCIA, T. e SCHMIDT, M. A formação da consciência histórica de alunos e professores e quotidiano em aulas de história. Vol. 25, 2005.

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