Segunda-feira, Janeiro 30, 2023
Historia

A Luta Anticolonial em Moçambique e a Formação Das Primeiras Organizações Nacionalistas (UDENAMO, UNAMI e MANU)

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O presente trabalho visa abordar sobre a Luta Anticolonial e a Formação Das Primeiras Organizações Nacionalistas (UDENAMO, UNAMI e MANU). Quando a 25 de Maio de 1962, a MANU, inicialmente denominada (Maconde African National Union), posteriormente (Mozambique African National Union) e a UDENAMO (União Democrática Nacional de Moçambique), na presença de Eduardo Mondlane, se reúnem, na Tanzânia, com o objectivo de discutirem e adoptarem o protocolo de unificação dos Movimentos Nacionalistas Moçambicanos, ao qual, mais tarde, aderiu à UNAMI (União Nacional Africana de Moçambique Independente), traçava-se o caminho pelo qual os moçambicanos seguiriam até a  luta de libertação .
Se nas cidades surgiam movimentos de contestação, também no campo as populações se revoltavam contra o sistema colonial. A contestação e resistência acabaram por levar à formação das primeiras formações políticas moçambicanas, a UDENAMO, UNAMI E MANU.

A Resistência No Campo
No planalto de Mueda desenvolveu-se um movimento rural que conseguiu aproveitar temporariamente o sistema económico colo nial e as circunstâncias específicas locais. De que forma? Os macondes do Norte de Moçambique criaram sociedades algodoeiras.
A organização, criada por um grupo misto de camponeses, comerciantes e professores de Mueda, tem sido considerada como representativa dos esforços nacionalistas. Embora dedicada a desafiar a ordem prevalecente, a organização foi também uma instituição que procurou integrar-se na economia colonial, conferindo aos seus promotores a possibilidade de um melhor negócio com as autoridades portuguesas e com as empresas de comercialização do algodão. Constituiu um esforço organizativo para afastar o bloqueio imposto pelo Estado Colonial à expansão económica desse grupo de macondes ricos.
Adam Yussuf, Boletim do Arquivo Histórico de Moçambique, n.° 14, p. 20

Neste contexto, em 1957, surgiu em Cabo Delgado a Sociedade Algodoeira Africana Voluntária de Moçambique (SAAVM), dirigida por Lázaro Kavandame (presidente), João Namimba (vice-presidente), Cornélio João Mandanda e Raimundo Pachinuapa (secreta rios). Inicialmente constituída por 12 membros, no decorrer do tempo este número foi-se alargando, tornando-se uma potencial ameaça política, uma base para possíveis contestações ao regime. É preciso destacar que a SAAVM foi a primeira forma organizada de tipo unitário no planalto de Mueda, o primeiro centro de discussão e de difusão da ideia de independência no meio camponês, situação que vai favorecer mais tarde a actuação da FRELIMO.

O ponto alto da resistência no campo deu-se no quarto encontro entre o presidente da SAAVM e o governador da província de Cabo Delgado. No dia 16 de Junho de 1960, o governador avisou os membros da SAAVM que, dado ter havido várias reclamações em relação à sua existência, decidira prender os porta-vozes da MANU (que apoiavam a independência da província), Faustino Vanomba e Kibiriti Diwane. Esse foi o mote da revolta que se seguiu. Ao verem os seus compatriotas algemados e serem levados para a cadeia, os moçambicanos tentaram impedir o arranque do carro. Mas as tropas portuguesas abriram fogo. E aconteceu assim o massacre de Mueda em 1960. Este massacre mudou para sempre e de forma irreversível a forma de os moçambicanos verem os portugueses. A partir daqui, tudo mudou, no campo e na cidade. Para além da criação de mecanismos fiscais e económicos de protecção, a comunidade rural protestava de outras formas, tais como: cozendo sementes; diminuindo o ritmo de produção; fugindo para os países vizinhos.

A Formação Das Primeiras Organizações Nacionalistas:
– Convenção do Povo de Moçambique;
– União Democrática Nacional de Moçambique (UDENAMO);
– União Nacional Africana de Moçambique Independente (UNAMI);
– União Africana Nacional de Moçambique (MANU).

Por volta de 1960 havia três organizações nacionalistas que, com meios pacíficos, tentavam obter a independência. Elas tinham como militantes-base os imigrantes moçambicanos nos países vizinhos e operavam, por isso, sob um perfil regional e clandestino quando se deslocavam a Moçambique.
Nos finais da década 50 é constituída na África do Sul a Conven ção do Povo de Moçambique. São poucas as informações existentes em relação à actividade desta organização. Sabe-se somente que os seus líderes foram Tomás Nhantumbo, de Madender, Dr. Agostinho Ilunga (representava o partido na Suazilândia) e Dinis Menjane, de Manjacaze e residente em Durban.

Os nacionalistas do Sul e Centro de Moçambique formaram, na Rodésia, a UDENAMO (União Democrática Nacional de Moçambique)1 A UNAMI (União Nacional Africana de Moçambique Independente) tinha o seu apoio principal entre os moçambicanos das províncias de Tete, Zambézia, mas operavam através do Malawi. Os imigrantes, especialmente da província nortenha de Cabo Delgado, formaram a MANU (Mozam bique African National Union). Na MANU existia também o núcleo dos camponeses que tinham tentado criar as suas próprias formas para a produção de algodão (SAAVM).

  • Desde a década de 50, a situação no Norte de Moçambique tinha-se tornado fonte de grande preocupação para a administração colonial portuguesa devido a vários factores:
  • O movimento dos Mau-Mau no Quénia contagiava as consciências dos moçambicanos na diáspora;
  • As acções conducentes à independência da Tanzânia levaram a que muitos moçambicanos que lá residiam ansiassem pela independência;
  • A administração colonial não era muito forte no Norte de Moçambique (era sobretudo feita por funcionários públicos e serviços residuais e o grosso do colonialismo português estava implantando no Centro e sobretudo no Sul de Moçambique);
  • Os macua nos tinham imensa capacidade de luta;
  • Havia uma enorme insatisfação das populações rurais que, para além de terem de cultivar a monocultura, começaram a ter de pagar a água.

Quando a MANU apareceu nós [Cesário Tomás Pinda e Ali Namenda] confiámos nela porque era um movimento que vinha para nos libertar, mas no decorrer do processo verificámos que não havia Indivíduos ca pazes de dirigir o movimento. Os elementos que existiam eram ladrões por que enganavam as populações e comiam o dinheiro, tal como descobrimos depois. A preocupação desses líderes era roubar o dinheiro das pessoas. O massacre de Mueda não teria ocorrido se os líderes tivessem tido a calma necessária.
Depoimento de CesárioTomás Pinda e Ali Namenda, ¡nAdamYussuf, Boletim do Arquivo Histórico de Moçambique, n.° 14, p. 27

Ainda que imperfeito, o surgimento destas organizações significou um passo em frente na construção de um movimento nacionalista. Elas colocavam como objectivos a luta anticolonial e pela independência, ao invés de simples ajuda entre grupos. As suas actividades estavam influenciadas pelo clima político dos territórios que os albergavam, as colónias britânicas. Entretanto, mostrou-se impossível criar um diálogo com Portugal e o sistema das Nações Unidas não oferecia quaisquer caminhos possíveis.

Conclusão
Terminada a abordagem pôde concluir-se que a União Democrática Nacional de Moçambique (UDENAMO) jogou um papel decisivo na fundação da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO) a 25 de Junho de 1962, de tal ordem que os seus estatutos constituem a base sobre a qual assenta toda a filosofia política do partido no poder, com as devidas adaptações.

Esta organização, foi fundada em 1962 através da fusão de 3 movimentos constituído no exilo, nomeadamente, a UDENAMO (União Nacional Democrática de Moçambique), MANU (Mozambique African National Union) e a UNAMI (União Nacional de Moçambique Independente).
Dirigida por Eduardo Chivambo Mondlane, a FRELIMO iniciou com a luta de libertação Nacional a 25 de Setembro de 1964 no posto administrativo de Chai na província de Cabo Delgado. O primeiro presidente da FRELIMO, Eduardo Mondlane, acabaria por morrer assassinado a 3 de Fevereiro de 1969.

Bibliografia
BICÁ, Firoza, MAHILENE, Ilídio, Saber História 10, 1ª edição, Longman Moçambique, Lda., Maputo, 2010
NHAPULO, Telésfero de Jesus, História 12ª classe, Plural Editores, Maputo, 2013
Pereira, Luís José Barbosa, Pré-Universitário 12, 1ª ed., Longman Moçambique Lda., Maputo 2010
www.leiaeaprenda.com

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