Terça-feira, Janeiro 31, 2023
Geografia

A Indústria: características gerais, A situação industrial após a independência, Concentração industrial, Os sectores industriais

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Indústria

A indústria consiste num conjunto de actividades de transformação de matérias-primas em produtos acabados ou semiacabados, através de processos mecânicos.

Moçambique tem um fraco desenvolvimento industrial; embora rico em recursos naturais, possui ainda uma indústria incipiente.

São várias as causas que explicam o fraco desenvolvimento industrial em Moçambique:

  • Predomínio da exploração agrícola
  • Fraca rede de vias de comunicação
  • Forte dependência de capitais estrangeiros
  • Tecnologia de fraca modernização
  • Mão-de-obra pouco especializada
  • Reduzido poder de compra
  • Carência em muitas áreas de recursos energéticos.

Características gerais

Com a criação, em 1928, da Repartição dos Serviços de Geologia e Minas, deu-se um primeiro passo para o desenvolvimento da indústria de exploração mineira do carvão e do cobre. A exploração de pedras preciosas e semipreciosas, na região dos pegmatitos, na Alta Zambézia, começou na segunda metade do século XX.

É no período entre 1945 e 1960 que se assiste a um maior desenvolvimento das actividades industriais orientadas para o mercado interno. Este facto deveu-se à emigração massiva para as c0lónias que se registou depois da Segunda Guerra Mundial.

Assim, foram introduzidas as indústrias transformadoras para a produção de farinha, trigo, vestuário, calçado, pregos, pequenas maquinarias e vidros. Aumentou-se a capacidade de investimentos em fábricas de processamento de açúcar, chá, algodão e sisal.

O desenvolvimento da actividade industrial e de pesquisa que caracterizou as décadas de 50 e 60 do século XX permitiu um major conhecimento das potencialidades minerais de Moçambique. Por volta de 1970, a indústria mineira contou com a actividade empresarial de um número de companhias voltadas para a exploração de minérios específicos. A maioria destas companhias estava sediada na região centro do pais, De 1970 a 1975, Moçambique conheceu um desenvolvimento considerável na área industrial, tendo, pela primeira vez, concentrado mais investimentos na província do Maputo do que nas restantes províncias, no que se refere ao grau de concentração industrial. Seguiram-se as províncias de Sofala, Manica e Nampula.

As actuais autoridades moçambicanas desejam que se desenvolvam, prioritariamente, os sectores agro-alimentar, têxtil, químico, metalúrgico (principalmente produtos à base de alumínio) e de embalagens.

A situação industrial após a independência

Após a independência, o Estado passou a preocupar-se com a reestruturação do sector industrial, com vista a satisfazer as necessidades da população, desligando-se do cordão umbilical que mantinha com as potências estrangeiras, em particular Portugal. Assim, tomaram-se as seguintes medidas:

  • Formação de empresas mistas;
  • Intervenção do Estado nas principais empresas industriais;
  • Nacionalização dos principais ramos da indústria;
  • Prospecção das ocorrências minerais no país.

Concentração industrial

A indústria transformadora encontra-se concentrada nas cidades densamente povoadas de Maputo, Matola, Beira e Nampula:

  • Maputo (cidade) – a cidade de Maputo detém o nível mais alto de concentração industrial, com 48,9% do total de toda a indústria.
  • Matola (província de Maputo) – detém 12,6% da concentração da indústria nacional, distribuída pelos subsectores.
  • Beira (província de Sofala) – detém 18,07% da concentração industrial do país, distribuída pelos seus subsectores.
  • Nampula (província de Nampula) – detém 5,7% da concentração industrial do país, distribuída pelos respectivos subsectores.

Os sectores industriais

Indústria extractiva e sua localização

Este sector da indústria ocupa-se fundamentalmente da extracção de minerais energéticos, de metais ferrosos e não ferrosos, de minerais metálicos, pedras para a construção e pedras preciosas e semipreciosas.

A mineração é uma actividade bastante antiga em Moçambique. Sabe-se que no século X a.C., a partir do porto de Sofala, eram embarcados ouro, prata e marfim com destino ao mar Vermelho.

No século VII a.C., os Fenícios traficavam ouro no interior de Moçambique, nas actuais províncias de Manica e Tete, em Chimoio e Chifumbazi, respectivamente.

Esta actividade continuou com comerciantes árabes durante o tempo do Império do Monomotapa (séculos XV e XVI).

Com a penetrarão europeia, a procura do ouro e de outros produtos de valor intensificou-se. Segundo Barca e Santos, «ao longo de cerca de cinco séculos, a actividade mineira foi realizada com carácter meramente artesanal, por homens que buscavam fundamentalmente o ouro devido ao seu elevadíssimo valor na Europa».

Moçambique possui quantidades enormes de jazigos minerais. Estima-se que existam, na bacia carbonífera de Moatize, província de Tete, 489,8 milhões de toneladas e 450 milhões no centro da mesma província.

As quantidades de gás natural no maior campo do pais, Pande, estimam-se em 40 triliões de pés cúbicos de reservas. Existem quantidades enormes de gás em Búzi e Temane.

Os principais centros mineiros do pais localizam-se a norte do rio Save.

Barca e Santos, citando o MIREM (Ministério dos Recursos Minerais e Energia), estabelece a localização dos minérios seguintes:

Tabela 29: Localização dos principais minérios

Minério

Localização

Pentóxido de Tântalo

Zambézia (região pegmatítica)

Ferro (124 000 000 t)

Manica, Tete e Nampula

Titano-magnetite (50 000 000 t)

Tete

Bauxite (130 000 t)

Zambézia

Sienitos nofelinicos (4 300 000 t)

Niassa

Areias pesadas (40 000 000 t)

Zambézia e Nampula (entre Quelimane e Angoche) e Gaza

Grafite (1 0 000 000 t e 5 000 000 t)

Foz do rio Lúrio, Tete e Cabo Delgado

Apatite (150 000 000 t)

Nampula

Mármore (25 km de comprimento/15 km de largura)

Cabo Delgado (região de Montepuez)

Fluorite (3 000 000 t)

Sofala e Tete

Os principais recursos minerais em exploração no pais são: carvão de coque, mármore em blocos e em Chapa, sal marinho, bauxite, granada facetável, pedras lapidadas, grafite e, recentemente, gás natural, em Pande e Temane. O gás natural é exportado para a RSA e também já é usado em algumas regiões do nosso país.

Indústrias extractivas e sua localização geográfica:

  • Carvão – província de Tete (distrito de Moatize, Minjova, Mucanhavuzi), Niassa (na bacia de Maniamba) e Manica (Espungabera);
  • Columbite, berilo, pedras preciosas e caulino – Niassa, Manica, Tete, Zambézia, Nampula;
  • Cobre — Tete e Manica;
  • Bauxite — Manica, Tete, Zambézia e Niassa;
  • Mármore — Cabo Delgado (Montepuez);
  • Granito e saibro — Todas as províncias do país;
  • Sal — litoral;
  • Bentonite – Maputo (distrito de Boane);
  • Asbestos – Manica, Zambézia e Tete;
  • Feldspato – Zambézia, Nampula, Tete e Manica;
  • Tântalo – Zambézia, Tete, Manica e Sofala;
  • Mica – Sofala, Zambézia, Manica, Tete e Nampula;
  • Gás natural – Pande, Temane e Búzi;
  • Areias pesadas – Gaza e Nampula.

Indústria transformadora e sua localização

A indústria transformadora nacional teve o seu início no século XIX. Ela ocupa-se fundamentalmente da produção de materiais leves, tais como: têxteis, calçados, produtos alimentares, bebidas, produção de plásticos e outros produtos similares. É a chamada indústria ligeira.

   A indústria pesada, no cômputo geral, está pouco representada. Este tipo de indústria, no pais, ocupa-se, principalmente, da produção siderúrgica e metalúrgica, e da construção civil. A Mozal constitui o expoente máximo da indústria pesada moçambicana.

Indústria pesada

  • Indústria de produtos minerais não metálicos – províncias de Maputo, Sofala, Nampula e Zambézia;
  • Indústrias químicas – províncias de Maputo, Sofala e Tete;
  • Indústrias metalúrgicas de base – província de Maputo;
  • Indústrias de materiais de construção – províncias de Cabo Delgado, Zambézia, Nampula, Niassa e Maputo;
  • Indústria de construção de meios de transporte – províncias de Maputo, Sofala, Tete e Nampula;
  • Indústria de pesca – províncias de Maputo, Inhambane, Sofala e Nampula.

Indústria ligeira

  • Indústria de açúcar – províncias de Maputo e Sofala;
  • Indústria alimentar e de bebidas – em todas as províncias, excepto Niassa;
  • Indústria de calçado e outros artigos de vestuário – províncias de Maputo, Sofala, Manica e Zambézia;
  • Indústria tabaqueira – províncias de Maputo, Sofala e Tete;
  • Indústria de descaroçamento de algodão e desfibramento de sisal – províncias de Sofala, Cabo Delgado, Niassa e Inhambane.

Bibliografia

NONJOLO, Luís Agostinho; ISMAEL, Abdul Ismael. G10 – Geografia 10ª Classe. Texto Editores, Maputo, 2017.

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